Não sou simplista,
Apenas gosto de olhar a chuva quando cai a noite
Assim como não sou de açúcar
Nem de açoite, apenas poetizo
Não sou dizimista, gosto do quebrado
Erotizo seu andar, o nascer da lua
Te desenho nua no jardim das cerejeiras
E falo besteiras como se fosse um deus grego
E gaguejo quando responde à altura
Porque o belo que vejo em ti nem Bachô viu nas gueixas
Não está pintado nas deixas de nenhum impressionista
E de realista tenho tudo, barriga, postura torta
Mas tenho mania de abrir as portas para te ver passar
E de fotografar flores e Luas para te dar
Porque aprendi com um poeta que nas flores não se tocam
E com as marés que a Lua é de fino trato
E as vezes preparei à sua luz prata dois pratos
Porque a esperança... e duas taças
Vinho e temperança para quando tudo se desfaz
Já te escrevi tantas coisas
E se perguntar quais e quantas nego
Como os dados negam a sorte
Não, Não sou egoísta mas gosto de colecionar planetas
Assim como gosto de imaginar seus cabelos nas minhas mãos
E preencher meus vãos com pensamentos e cometas
E te descrever como vulcão
Que menos conheço do que exploro
E as vezes me pego simples a te imaginar olhando a chuva no meu colo
Marcelo Moro
