Início

terça-feira, 31 de março de 2015

Teatro de Ousadias - Oitavo Ato



Nesse lugar onde o vento não voa
E fica preso nas cortinas espessas
Onde a luz é apenas reflexo dos olhos à toa
Através da fumaça densa

Então é ali que os perfumes se encontram
Se tornam alfabetos de cegos
E se procuram sem formato de rostos
E se deliciam quando as línguas se pegam

Sabem serem proibidos, pelo tato
Pela juventude doce e o amargo do tempo
Mas libertam os ventos quebrando as janelas
E suas mãos se entrelaçam numa estrela, a mais bela

São doze sentidos numa noite tão simples
São sussurros aflitos viajando lentos
Antes são momentos concretos do surrealismo
Vacância sutil entre intenção e gesto

A ausência da luz faz as formas na mão
A leitura completa do seu eu escondido
Aquele grito, aquele suor escorrido
Aquele arrepio do certo ao avesso

Marcelo Moro

Câmera Obscura



Câmera obscura
Imagens nuas
Tenho saudade do tempo em que tudo era perfeito
Que as coisas que fazia faziam efeito
E essa solidão vivida a dois não existia
Simplesmente por eu ser eu
E você o que queria
Marcelo Moro

3 minutos para a Hora Morta em Istambul, Câmera Obscura - do Livro - O Teatro de Ousadias -
captado do espaço sideral de uma voz cigana de bruxa alienígena





segunda-feira, 30 de março de 2015

O Teatro de Ousadias



https://scenariumplural.wordpress.com/2015/03/10/exemplos-de-poesias-marcelo-moro/

Dia 26 de março foi lançado o meu livro O Teatro de Ousadias pela série E.X.E.M.P.L.O.S de poesia da editora Scenarium Plural, uma edição artesanal, costurada a mão, exclusiva e qual foi comercializada em pré - venda mas que ainda restam alguns exemplares, vale muito a pena essa edição e para adquirir é só clicar no link acima e enviar o e-mail, Você recebe em qualquer ponto do mundo ...

sejam todos bem vindos ao Teatro de Ousadias


quinta-feira, 26 de março de 2015

Lua do dia ( Novilúnio)




Muda a dança
A musica, o humor
A fase, a crise, muda a frase
O  a sem crase, a catarse
Mudam as pernas
As penas, o vento
A chuva, os pesares
Muda o tempo
Quando ela passa
No seu ato de sete atos
Com seu sorriso de sete dias
Muda tudo que varia
Pesam o que valha
Cortam à navalha
O papel, o poema
Os cabelos
O cordão umbilical
Tecem o carnaval
Nessa sua passagem sólida
Secreta,
Escondida entre o azul
E o cotidiano veloz
Ninguém repara no seu belo véu
Apenas blasfemam
Quando à noite
Não está no céu


Marcelo Moro

*foto da Lua Nova sobre o meu Quintal faltando 240 minutos para Hora Morta de 24 de março

terça-feira, 24 de março de 2015

Flor de Baunilha



Fiquei preso por tanto tempo ao hálito de Iracema
Queria beijá-la como Ceci beijou Peri
Ao som de “O Guarani”
Na beira do lago negro
Onde Narciso completou seu inútil ciclo
E virou uma flor polinizadora de deusas

Efêmero sabor do preto néctar
Essência da louvação dos jaguares deuses
Enfiou no nariz da minha juventude
Sonhos e alucinações
Casada com o clorofórmio
Doce- amarga amante rude

Hoje já travestida de moderna
Pés no chão e simples pura pele
Advoga em favor dos loucos
Que acreditam no tom quase bordô dos seus cabelos
E que rimam flor com sentimento
E que apelam como poucos, por seu sabor

Marcelo Moro

* foto do Projeto Paralelo de Mariana Montrazi Claus



segunda-feira, 23 de março de 2015

Espectro






Espectro

Pena não poder dizer tudo
Viver de nada em vazio
Como clandestino nesse navio
Enorme e assombrado que é sua alma
Pena faltar coragem de perder a calma
E rasgar o verbo e conjugar a viagem
Misturar à sua mística, minha realidade
Confundir  seu sono já tão conturbado
E terminar a noite vendo a estrela vespertina
Num desabotoar que desatina
Rubra tinta em sua pele
E de calor em calor
De suor em suor , tropeçando nas sílabas
"*Confundindo a lógica
Me perder nessa sua beleza exótica"

Marcelo Moro

*muito de Caetano e pouco de mim


sábado, 21 de março de 2015

Solstício



Solstício
Solstício é troca
De líquidos
De línguas, de vícios
De sol rasante
Por Lua amarela
É mazela
São corpos que dançam
Envolta do fogo
Envoltos em chamas
É sacrifício
Por um dia melhor que o outro
É desenho impresso no corpo
Para que se lembre o passageiro
Que ele não passa disso
Diante da grandeza do infinito
E de suas regras
O Solstício é troca de cores
É bonito
Tem hora marcada
E não tenho nada com isso
Se sei enxergar a dança
E se danço a serenata

Marcelo Moro


quarta-feira, 18 de março de 2015

Flor de outono



Flor de Outono

Outono batendo à porta
Belo final de tarde frio
O Jardim de Allah vazio
O Outono é o conjunto da obra
Chuva mansa, o tom de cinza
A lã barata da menina que passa
Seu guarda chuva psicodélico
O sofrimento velho
Gradiente entre Deus e o Diabo
Uma bela flor perdida poeta
Em meio desse devaneio
A boca dela, o caos e o tiroteio


Marcelo Moro  

terça-feira, 17 de março de 2015

Amar é ( Desafio de escrever)


Sobre as Sardas





São defeitos?
Antes são mapas
Acertos de rotas
Ilhas dispostas num mar calmo
Charmes
Toques de arte do sol

Imperfeições?
Antes são estrelas, mapas astrais
Constelações
Filhas ultra – violetas
De um Deus faminto
Princesas de um universo extinto

Mau gosto?
Antes são contrapontos
Doses antimonotonia, equação
Que te fazem mais interessante
Mesmo que os tolos e os caretas
digam que não

Marcelo Moro

K'abel



Uma deusa maia
Por isso o Mar vem e vai
Em reverência
Súdito e amante secreto
Incandescências de sal e luz 
Intenção e gesto

E o deus – menino sol
Estrela flutuante
Doura sua pele e antes
Te devora 
Para que não sobre dúvidas
Da divindade que te aflora

É sim uma deusa maia
Puro sangue
Que deságua nesses nossos litorais
Sempre que esquenta
E que arrebenta
Exibindo tão belo caminho para Eldorado


Marcelo Moro

In Natura


In Natura

Sem nada,
Nenhum corretivo,
Expressivo, delineante
Nada mesmo
Estonteante
Apenas pele
Lábios e sangue
Ombros e cabelos pairando
Sobre o espelho
Impressões digitais
Nada demais e nem de menos
Tudo exato
Exótico, caótico
Sonho de consumo

Marcelo Moro

segunda-feira, 16 de março de 2015

Amplificada



É desejo
Sem pele, sem beijo
Sem sombra de dúvida
Ávido, sedento
Viajante do vento
Como viajam as mãos
Esculpindo a realidade úmida

São pixels
Agrupados na maré alta
É lua cheia
É uma dose e meia
De sorriso incandescente
E de outras incandescências
Que leva a acreditar

É também mimo
Acalanto sereno
Quando desaba a solidão
É o extremo e o mínimo
Amplitude, amplificação
E quando no frio é abraço
Calor de supernova nesse corpo pequeno

Marcelo Moro

Novilunio






Linda minha
Meu poema, meu frio na barriga
A cor perfeita, o perfeito equilíbrio
Minha miragem, meu vício
E que não acredita no que eu digo
Mas de dizer sempre e muito
Um dia funciona o encanto
E o canto há de fluir pelas veias
Como fujo pelas ruas da Metrópole
Para não cair em tentação de parar onde esteja
E gritar seu nome Lua Nova

Marcelo Moro

De outro Mundo




Bole com os sentidos
Sensações
Redemoinho de vento
Dentro dos olhos escuros
Noite sem Lua
E um sorriso bastardo
No enquadro perfeito
Da bagunça dos cabelos
Pobre de mim menino terráqueo
Que nada sei do seu desejo
Apenas vejo fluir
Zunir no íntimo ouvido
Tempestade de língua
Maré brava e quebradiça
Tímida ousadia
Que dia após dia é mais bela
É mais aquela
Que segura o florescer
De um dia calmo, pós guerra

Marcelo Moro

Sobre o olho do Furacão




Onde tudo gira infinitivamente rápido
Calmo, em cores, levando os vitrais
Caleidoscópio vivo, ávido
Devorando as almas e o dourado das auras
Infinitivamente impessoais
Seus traços, seus braços, sua insensatez aguda
E esses cachos disfarçados de mar e cabelos
Existem vozes que chamam do lado de lá do vento
Que falam alto, sussurram no pensamento
Mas tudo gira, e beija e fuma e ri
E em tudo cria sentimento
Obra prima da natureza
Que na leveza levou mais de mim que o esperado
Os versos, a calma, o grito sem amparo
Mas que guarda no olhar algo a dizer
E que diga antes que seja tarde
Antes que ao cair do dia se desfaça o vento
Cesse o sol que arde


Marcelo Moro