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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Águas Marinhas




é só olhar para o tempo
e querer te levar
pelo tempo que for
seu perfume no meu vento
faz da distancia transparência
impossível sonhar sem cor

são estrelas esses seus olhos
estrelas azuis

é só parar o dia
e deixar me levar
pelas areias que for
minha camiseta no seu corpo
numa manhã qualquer, essência
impossível deixar sem cor

são faróis esses seus olhos
azuis na noite escura

é só dizer as horas
e querer te esperar
pelo resto do dia se for
nós dois debaixo da mesma lua
faz da imaginação algo real
impossível não ver a cor

 águas - marinhas esses olhos
encantando todo o azul


Marcelo Moro

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sétimo Cotidiano





Seu olhar é uma armadilha
E o azul seco desse céu e o dourado das folhas
Nas vésperas da primavera sangram
E singram um mar numa vasilha
Com um barco de papel em chamas
Sem rumo, sem amarras nem tramas

O azul e a armadilha são seus olhos
Quando evaporam juntos com as gotas frágeis
Que deslizaram mornas pelas curvas da sua pele
Que misturam sal e açúcar
Lágrimas temporariamente viáveis
E não há salvação que se rogue, reza que se reze

O acaso acontece nos seus olhos
O azul seca neles também
E as folhas douram, e a primavera sangra
E aprisiona o mar entre chamas
E navegam em barcos de papel
E eu gosto de ditar suas tramas 

Marcelo Moro

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pressa



Eu fiz essa canção como quem busca a terra prometida
Com sede, fome, perdas e danos
Como quem se livra do ouro e dos panos
E espera apenas a chuva cair mansamente essa noite

Fiz para o brilho dos seus olhos cor de temporal
Sem querer saber se isso importa
Se abre ou fecha suas portas
Fiz hoje e agora antes que viremos estátuas de sal

Fiz e colori os versos com giz
Escrevi antes que alguém escreva
Antes que alguém se encante, se atreva
Antes que alguma língua traduza o gosto do seu queixo

Borrei o papel para que saiba
Que é verdadeiro o que recito
Que repito como um mantra as linhas do seu rosto
Que me encanta, me encontro, me afaga

Fiz e pronto, com pressa que me afoba
Pergunta que não tem resposta
E você sóbria enquanto eu voo
Parece controlar o tempo enquanto ele foge

Marcelo Moro 

sábado, 31 de agosto de 2013

Sonho



Não sei, nunca vi teus passos
Não conheço seu balanço
O som do teu riso, mas é amplo
Não sei a textura do seu cabelo
O olhar escuro só pelo espelho
Mesmo sem respostas te caço

Acabo que me embaraço no teu silêncio
Mas insisto na harmonia dos seus traços
É um bem querer distante
Que brilha sempre antes
Que vênus na minha tarde perdida
É um exagero sempre na medida

Nunca doeu, antes se faz prazer
Nunca amanheceu comigo nas noites de insônia
Como uma das tantas sentinelas do meu sono
Mas soa uníssono como um assovio no ar
Deve ter asas ocultas de fogo
Não conheço seu cheiro, mas me faz sonhar

Marcelo Moro

* Ela é um tom de Fá maior as vezes sustenidos na minha sinfonia 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Matilha






O céu se move,
Vem a chuva depois do eclipse
A Lua troca de cor , de forma , de nome
Por esse momento cremos em tudo que existe
Movem-se as marés,
As mãos, os dedos, o arpejo
Umedeci o céu da boca, umedece o templo da flor
Diante do espelho imagina o olhar sedento
Que observa teu cio, e o descarrilhar das tuas cadeiras,
E o esfregar dos teus lábios, e o esfolar dos teus joelhos,
E o jorrar quente do seu prazer, e o uivar do seu desejo
Ecoando pelas matilhas que te cercam,
Fecham o cerco, mil olhos a espreita
E os meus bem grandes a te observar

Marcelo Moro











terça-feira, 30 de julho de 2013

Sexto Cotidiano





Ela é puro caos
Curva nosso pensamento,
Trança nossa linha com as curvas do seu corpo
Sobra em nosso olhar
Um brilho seu é um brilho a mais
Um brilho bruto, a lapidar

Ela também é luz
Espelhos planos que clamam
Garotos perdidos que amam
O seu andar, o seu doce balançar
Que recolhem cada gota que escorre
E ditam o tom do seu vestido

Ela existe sem que possa tocar
Assim como não se tocam os anjos
E habita os Jardins de Allah
Onde caminha com o sol a dourar seus cabelos
Ela personaliza as cores, a perdição
Esguia, tranquila no olho do furacão

Marcelo Moro

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Incandescências




É tão complicado o tempo
Assim como é tão singelo, e simples
É gelado o vento em certa hora da noite
Antes, muito antes do seu olhar cruzar o céu

Sua imagem rasga  o véu da minha decência
E seria inocência ignorar o que falam antigos versos
Incandescência como calar a palavra
É um desafio de sábio homem, silenciar o transverso

Tão inocente, tão presente e viva beleza
Tão uivante e proibido desejo
Tão secreto amparo, tão caro mel novo

Tanto frio perto do fogo 

Marcelo Moro

terça-feira, 23 de julho de 2013

Haikais 1 - 18






Haikai 1

Eu te espero
Meto-me em desejar
Tanto que quero

Haikai 2

Flores em você
É o que sempre vejo
Poemas e sons

Haikai 3

Sopro do Dragão
Aquele tatuado
No fim do Mundo

Haikai 4

Fios dourados
Ouro ornamentando
A pele ao sol

Haikai 5
O céu enluta
Flores choram seus perfumes
voz que se cala
Haikai 6

Não há silencio
Antes existem gritos
Dor, prazer, gozo

Haikai 7

Me é proibida
Mas tenho a ousadia
Toco com poemas

Haikai 8
Teu suor em mim
Imaginação Fugaz
A noite te traz

Haikai 9

Dos olhos aos pés
Você me conquista
Entra nos poros

Haikai 10

Quem te faz feliz?
O que te faz suspirar?
Intenção, gesto?

Haikai 11

Porque foges só ?
Juntos, seria mágico
O belo, a cor

Haikai 12

A Noite brilha
A Lua irradia prata
Sonha menina
Haikai 13

Vi tua imagem
Visão e pensamento
Falaram ao Sol

Haikai 14
Doce e quente,
Seda sobre o botão
Róseo, fervente

Haikai 15

Noite de chuva
Noite bela, escura
Paz sem estrelas

Haikai 16

Cinza vão
Umedece o Jardim
Descem os anjos

Haikai 17

É toda doce
Mesmo quando selvagem
Mel que escorre

Haikai 18

Vazios no olhar
Buracos negros e tal
Beleza dos vãos

Marcelo Moro

*são desejos, cada um dos Haikais, são resumos de sonhos e imaginações, sentimentos e sensações, sentidos que afloram da alma pra caneta, desenhos que nascem da mágica posição entre o real e o antes que adormeça...

Papo de Aranha







A aranha que observo há dias no jardim
É poeta de suas teias, como eu sou poeta de mim
Tece em cinza transparente sua armadilha
Enquanto a tinta penetra em seu corpo, minha trilha

Um mapa que me acha, no sul, no fim
A ilusão que o veneno causa, o suor frio assim
Tem doçura nos lábios , prolonga a dor
A aranha e sua teia o poeta e seu amor

Marcelo Moro



Haikai 18





Vazios no olhar
Buracos negros e tal
Beleza dos vãos


Marcelo Moro

terça-feira, 16 de julho de 2013

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Quinto Cotidiano






Você é aquela que merece a carícia da brisa
Bagunçando o cabelo, arrepiando sua morenice
Merece a meiguice de quem ama
E faz jus a imaginação louca do poeta
Que faz gotas descer pelos vãos,
Sinuosa estrada para eldorado
Intocado rincão da poesia
Você é aquela com quem eu riria a noite toda

Você é esse corpo miúdo que explode feito um vulcão
É, respeitosamente, sopro que surfa furacão
É riquíssimo desejo domado por quem te tem
E a nós, imortais olhares, resta a contemplação
Você é oração lançada ao caos
São passos no escuro, saltos, vermelhos e espelhos
É uma tentação homeopática dada a cada dia
Você é a alegria dos olhos das ruas, brisa que arrepia 

Marcelo Moro

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Quarto Cotidiano





Beleza desnaturada
Misturada, passos e dança
Místico olhar azul dourado
Vingança descabida do mundo cruel
Distância, oceanos salgados e etc. e tal
Suspiros que derretem na boca

Pelas janelas jogam panos e pó
Colorindo o mundo quando ela passa
Arrasta estrelas com os pés
E diante dos cacos estou  só
A olhar, a contemplar sua malandragem
Imaginando as rosas que brotam

É lava de um vulcão faminto
Que devora pedra e cal, bons e maus
É dourado tresloucado que trazes nos pulsos
Panos sutis e tranças
Sucubbus sem sonhos , de luz
Cruz de caminhos, transe e vela acesa


Marcelo Moro

segunda-feira, 17 de junho de 2013

sábado, 15 de junho de 2013

1988 A-2

 
 
*esse é de abril de 1988, bem guardado como os outros, tão moderno, tão dias de hoje, hoje principalmente.
 
Eu só queria ficar no seu olhar
Não me afastar do seu corpo
Da sua boca
Não me sentir tão só com essa paixão
Só queria você
Encostada no meu peito
Sentido as batidas do meu coração
Simples assim
 
Marcelo Moro


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Terceiro Cotidiano


Já chapei
Fugi
Me esqueci
Saí por aí
Quebrando espelhos
Caras
Bocas
Objetos
Rasguei  fotos
Dancei tangos
E cuspi blues
Já toquei
Tentei
Nasci de novo
Deixei de ver o sol se por
Viajei
Pintei
Li
Escrevi um poema para você
Um monte
Nenhum
Entre os rasgados milhares
Entre os guardados a verdade
Já chorei
Sofri
Me sujei
Implorei
Ressuscitei
E voltei pelo mesmo caminho
De espinhos
De pedra e caos
Levezinho o tom desse vinho
Com cacos de vidros moídos
Morte
Sorte
Sonhos que não acabam

Marcelo Moro