segunda-feira, 17 de junho de 2013
sábado, 15 de junho de 2013
1988 A-2
*esse é de abril de 1988, bem guardado como os outros, tão moderno, tão dias de hoje, hoje principalmente.
Eu só queria ficar no seu olhar
Não me afastar do seu corpo
Da sua boca
Não me sentir tão só com essa paixão
Só queria você
Encostada no meu peito
Sentido as batidas do meu coração
Simples assim
Marcelo Moro
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Terceiro Cotidiano
Já chapei
Fugi
Me esqueci
Saí por aí
Quebrando espelhos
Caras
Bocas
Objetos
Rasguei fotos
Dancei tangos
E cuspi blues
Já toquei
Tentei
Nasci de novo
Deixei de ver o sol se por
Viajei
Pintei
Li
Escrevi um poema para você
Um monte
Nenhum
Entre os rasgados milhares
Entre os guardados a verdade
Já chorei
Sofri
Me sujei
Implorei
Ressuscitei
E voltei pelo mesmo caminho
De espinhos
De pedra e caos
Levezinho o tom desse vinho
Com cacos de vidros moídos
Morte
Sorte
Sonhos que não acabam
Marcelo Moro
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Noites de Junho
Cai a noite, cai o frio e a névoa de junho
Sobem vassouras levando as donas da noite
Rasgam os céus em fogo e véus
Te olham e te lançam um feitiço
E o enguiço é fugir desse olhar, é se esconder
Numa noite como essa não vale a pena correr
O melhor é se entregar e ver estrelas
E ver no preto parado dos olhos
Lagos, casos, anos e anos de janelas abertas
Olhos que não se fecham, que devoram
Que fitam e que apavoram quem desconhece
A verdade é que existem
Que se escondem quando não se interessam
Mas que aparecem para um voô numa noite de junho
Marcelo Moro
sexta-feira, 7 de junho de 2013
1987 A-1
Escrevi muita coisa entre 1985 e 1991 que estão perdidas por aí com várias pessoas, não tinha a pretenção de compor nada nem de organizar nada, foram anos anárquicos pra mim, mas comecei a recuperar algumas coisas e não vou intitular o que não tinha título, apenas farei um catálogo.
Esse é de 1987 e estava escrito numa fita crepe muito bem guardada por alguém do período.
1987 A-1
Menina
linda serena
Olhos
perdidos ao longe
Eu tento
buscar
Pra perto
de mim
Em meu ombro
Em minha
boca
Marcelo Moro
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Divagações
Não é apenas uma volta ao passado
Quando se entra na mesma rua
A mente se abre e os sonhos se soltam
Poesia e silencio, verdades nuas
Uma nova visão focaliza
O que antes se vivia sem se ver
São os olhos do tempo sobre os fatos
A nossa versão dos atos
E de auto da fé em auto da fé
Não se consegue mais enxergar a culpa
se quem queima buscando enfrentar
O que mesmo errado nunca muda
Marcelo Moro
sábado, 1 de junho de 2013
Segundo Cotidiano
O vento passeia entre as pernas da menina
O céu seco e azul de outono ensina
E alquimista que é, doura as folhas do jardim
E pobre de mim que enfeito de flores os tons pastéis
Dia após dia o vento espalha aquele perfume
Adocicado quase infantil
E carrega de sutil voo nosso caminhar lento
E o pensamento é vão, é cor, é mão a detalhar seu vestido
E os dias trocam de cor simetricamente
Como sua tez morena empalidece
E como um rito troca de sapatos
Enquanto o vento sopra as deusas e umidece
Marcelo Moro
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