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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Tempestade






Um dia alguém disse que ele tinha belos olhos.
Era um dia desses em que São Paulo some debaixo da tempestade, disseram que seus olhos tinham a cor da tempestade.
Sempre pareceram tristes e tempestades são belas, impõe sua força, diminuem a raiva e a empáfia da metrópole, subjugando- a ao caos.
Nesse dia comeram juntos o pão que o diabo amassou e beberam seu vinho em quintas antes submersas nos becos escuros.
Ele até franziu os belos olhos ensaiando sorrisos e ela, bom, ela nunca lhe mostrara a sincera visão do seu pensamento. Com o tempo ele a conheceu melhor que todo mundo, mas os destinos foram selados naquele dia, de olhos e cores de tempestade, de pães e de vinhos.
Num futuro distante aqueles olhos derramaram água e tinham sim cor de tempestade e o sorriso enrijeceu e secou em anos sem sol, uma pena se mostrar insensata, insensível diante daquele gigante horizonte castanho, tomado de fúria inocente.
E o vinho perdeu seu sabor...

Marcelo Moro 










terça-feira, 5 de agosto de 2014

Décimo Segundo Cotidiano







O que pensa ser tolice
Por vezes é calma
E o que acha que é intelecto
Sempre, quase sempre é alma

Eu sou assim fogo sob o chão
Multidão distraída
Distúrbio de personificação
Porta de saída

Bebi seus risos e me embriaguei
Bati portas e briguei
Do lado de lá gargalhei no espelho
Imitando sua ira, sua frescura

Nem preciso de vinho para as verdades
Um café forte e um rock do bom bastam
E falamos de neblina e cidades
De água e mentiras que vazam assinadas com o polegar

Imaginei tinta correndo por seu corpo
Suaves desenhos concebidos durante a tarde que chovia
Teias sem aranha, papos estranhos sem rostos
Estrada estreita de uma só via

Marcelo Moro