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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Fogo 242





Azul e Laranja raios de céu e de sol
Sobre o mármore branco da Vênus sem braços
Luzes sem filtro, sem qualquer equilíbrio 
Apenas cruzam a vidraça, tortos sem lastros

Como um signo sem ascendentes 
Que devora seus filhos, suas luas 
Uma porta sem batentes 
Que fecha o destino sem chaves, flutua

Leoa de fogo que o tempo aprimora 
Ascende em leão conjugando o momento 
Subjugando o bicho, o macho , devora 
Soprando seu perfume doce aos sete ventos 

E assim se constrói um desejo pleno 
Sem hífen, sem rima , castanho moreno 
Um licor raro, sutil doce – amargo 
Pequenas doses diárias do mais belo veneno

Marcelo Moro

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