sexta-feira, 23 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Câmera Fria
no coração do outono pulsa o vento
gélido, as vezes violento arrebenta as janelas
traz ao pensamento frases sinceras
pedaços e palavras de velhos poemas
as imagens falam, sejam de ruelas na Irlanda
sejam sobre frutos no quintal
sejam de cabelos vermelhos, feito vinho
sejam do brilho perfeito de um olho feito de vidro
apologia do amor e do caos
fáceis versos de Neruda
onde fulano de tal, qualquer um
pode fazer o que o inverno faz com as cerejeiras
sexta-feira, 16 de março de 2012
Câmera Louca
Arrepio
Pode ser do vento,do pensamento, de um toque meu
Pode ser do nada, pura pretensão
pode ser o seu tesão, simples assim, solitario
e eu me compreendo o escultor do teu gemido
o pintor do seu sorriso, o poeta dos seus passos
eu me sinto seu orgasmo, mesmo que nao seja nada
e isso me faz ser mais, menos nao me importa
isso me faz ser a sua imaginação
minha pretensão ao guiar seus dedos
ao te pedir um grito, meu rito, seus segredos
Marcelo Moro
segunda-feira, 12 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
Mulher
A delicadeza, o carinho, a fé infinita, a pele macia, o hálito de maçã, a dúvida, a dor, a cólica, as regras, o parto, a vida.
O desenho do corpo as formas dos seios, a cabeça, guerreira, guerrilheira, mãe solteira, profissional, camponesa que o sol torra, patricinha que o sol bonzeia, filósofa, psicóloga, mãe.
Adoro quando a mulher diz : - Frágil é o caralho- Mas gosto quando faz as unhas, o cabelo, cuida da pele, a mulher é um enigma profundo e sem solução, é uma dádiva e uma divida, a costela mais que perfeita, enlouquece, pira, subverte, submete-se, faz feliz, bota na fossa, doidas, santas, independentes, à rigor ser humano.
Marias e Madalenas, cantigas e cantilenas, poesia mais bela, flor que balança ao vento, viga, alicerce, vão...
Parabéns seres raros, todo meu respeito e admiração
terça-feira, 6 de março de 2012
À toa
não sei se é o certo ou errado
se é quente e eu vejo frio,
se é frio e eu esquento,
se é nada e vejo tudo
se tem tudo para ser algo e eu demoro
ou se tenho pressa e assusto
sei que me dá paz, é éter
já pensei em flores para adular
em chocolates para adoçar
mas temo que fujas para as brumas
e de lá não saia sem uma boa conversa
ou de lá não saia nunca mais esse coração de labirinto
eu sei que te olho
e cuido com o olhar, e cultivo com poemas
eu sei que abençoo seus passos e te desejo sorte
eu sei que curto teu andar
teu olhar desconfiado, teu medo das pessoas
só sei que te gosto assim á toa
Marcelo Moro
segunda-feira, 5 de março de 2012
A Distância
A distância caro mio! Essa cafetina doida das nossas ações, essa duna infinita sem tonalidade, escaldante, monótona e indissoluvel. A distância cala o coração, faz queimar o coração, acende a saudade, palavra exclusivamente portuguesa, linda, dotada de um sentido único e tão cheia de sentido, mesmo dominando a essência e sentindo por conhecer bem o toque, o cheiro, o jeito, a pegada, a saudade modifica as vezes nosso dia, transforma a delícia em falta e a esperança vira revés. A distância só é vencida por quem confia, por quem afina seus sentidos todos apesar do intervalo que há entre as mãos e os cabelos, sente o olhar como se olhasse pro espelho, sabe o que o destino nos guarda apesar da distância, da saudade, mãe e filha, cafetinas doidas dessa loucura. A distancia caro mio!
Marcelo Moro
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