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sábado, 8 de dezembro de 2012

Despretensiosa Delícia




Os pés descalços pela estrada mansa
A cor do céu no seu vestido
Se estivesse onde a minha mão alcança
Colocaria uma flor amarela em seu cabelo,
Para quebrar a monotonia, mudar seu ritmo
Traduzir seu pensamento em frases num muro

Contar meu tempo em seu colar de conchas
E a tarde passaria calma
Deixar exalar sua essência, perfumando minha alma
Girar o corpo, assim como gira a vela num sopro, navegar
Espiar por entre as frestas dos seus olhos
E te ver vestindo o mar

Marcelo Moro

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar ...Ah !! Oscar





Lições de Arquitetura

No ombro do planeta(em Caracas)
Oscar depositou para sempre uma ave
uma flor
(ele não faz de pedra nossas casas: faz de asas)

No coração de Argel sofrida
fez aterrizar uma tarde uma nave estelar
e linda como ainda há de ser a vida
(com seu traço futuro Oscar nos ensina que o sonho é popular)

Nos ensina a sonhar mesmo se lidamos com matéria dura:
o ferro o cimento
a fome da humana a arquitetura
nos ensina a viver no que ele transfigura:
no açúcar da pedra
na argila da aurora
na pluma da neve
na alvura do novo
Oscar nos ensina que a beleza é leve

(Ferreira Gullar)

*pensei em escrever algo, alguma poesia em nome da curva, em nome do homem que nos ensinou que a beleza é leve, mas esse do Gullar é mágico, é todo, talvez eu ainda escreva ...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Soneto da Vastidão




De tão vasta não se vê o horizonte
De tão farta me sacia as noites e dias
Calma, ocupa espaço e tempo
Doida, me mostra o rosto essa fantasia

De tão cálida me dá a chuva
Tórrida, queima-me a mão
Ácida, me estapeia com a realidade
Deliciosa, me devolve à ilusão

Apenas há de pintar um quadro
Tela que fale de verdade em flor
Enquanto me é proibido o fruto

Objetos inanimados
Enquanto a vida passa veloz
Corpos queimados no chão, distância atroz

Marcelo Moro

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Carmim




É delicioso o perfume da menina
Importado da flor dentro da imaginação
É tão linda a menina,
Delicada quando anda
Sutil quando se senta, quase formal
E quando se levanta aí é a perdição

É tão presente a menina,e seu cabelo californiano
As vezes preso por um enfeite, por outras solto ao vento
É quase uma canção perdida no Caos, um pensamento
Desses com poder de criar forma simétricas
Quando vem vestida em Vermelho Flamboyant
Chega a ser erética, erótica, morte da santidade tranquila

É tão sozinha a Menina
Mas sorri de vez em quando
Fogueira queimando poetas e poemas
É miseravelmente gostosa a boca dessa menina
Variações sobre um mesmo tema
É o lado quente e doce dessas manhãs amargas e indecisas

Marcelo Moro

*créditos do Título a Talita Batista

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um Poema sem Solução




Uma viagem entre harmonicos de guitarra
Ouvi um suspirar no lado escuro da retina,
Numa alameda de acácias
Um passo a mais e lá estava  misturada nas sombras

Lavanda sobre a pele,
Os sentidos todos a te sentir
Vestida de ventos e fogo,
Dançando com a brasa de um cigarro

Desenhando no ar as serpentes encantadas dos seus sonhos
Sonhos despojados e guardados no fundo do armário
Para que um dia pudesse brotar
Como um lírio brota sozinho no campo

Marcelo Moro

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Menina de Goya



Dá-me um sorriso musa de Goya,
Anjo dos céus de Michelangelo;
Me faz um afago, lança em minha mão uma esmola;
E sobe las ramblas rumbeando os quadris
Harmonia de pincéis que me deixa sôfrego,
Frágil, Aceso e Lúcido.
Curvas impressionantes de Oscar
Perfeitas pretuberâncias, que ficariam mais ricas,
Mais Rijas com a dança da minha língua,
Mais vivas com toques de mel e saliva,
És tinta e imaginação, letra e rima
És pele e arrepio a soletrar o poema .

Marcelo Moro

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sob o Sol de Sparta




Eu dei um gole de você pra minha alma
ela me deu a alegria de gostar de você
eu te tomei gota a gota e amei com calma
razão do meu bem querer, meu encanto ...

Meu djavanear sereno de todo dia
meu pão nosso de toda hora comido sem pressa
a agonia da falta, a alegria da vinda, a festa da volta...
a carta de um naufrago quando chega resposta

Você é algo assim como um sol num paraíso perdido
a manhã cintilante de um planeta distante, revolto, romântico
a primeira e a última, cântaro de Bálsamo, que suaviza o cântico
e os deuses pagãos ou não, ateus ou não se encantam

Eu dei um gole de você para meu quintal
e ele me devolveu o mais belo amarelo, em forma de flor
o amarelo sem limites, isso quer dizer amor, que salva
que une mundos no redondo miolo da flor...isso é amor, basta sonhar, tocar, viver...


Marcelo Moro