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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Canção aos olhos que não vejo




Queria conhecer seus segredos, de fato
quem sabe como cego, pelo tato
quem sabe o tempo é o vento
e quem sabe de ti quando bate aqui sou eu

Talvez você vire um ideograma japonês em uma camiseta
saudade
Ideal
etiqueta
que não desbota quando perco a razão

que não vejo outra coisa a não ser desejo
que vejo com outros olhos quando poderia ouvi-la tão bem
o sol se pôs pequena grande mulher
a lua no céu outra vez me trás também a certeza
que o vento é vento e que no pó escrevo seu nome

fome
leveza;
E mais tantos outros cavaleiros ocultos

Marcelo Moro

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Tato




E de tanto te conhecer, te conheço o mapa
E de esperar o vento vira acaso
que te traz e te leva e te deixa ficar
ninguém diz o que eu faço
ninguém me dita regras
mas você pode me ditar, assim como pode tudo
Você não cabe no verso, na canção , na rima
é maior que o mar, que o mapa , que eu
dá prazer tocar o ar e desenhar suas delicadas formas
e sentir pelo tato, o arrepio impresso na tua pele
e vagar pelo sopro dos teus lábios na minha orelha
e ouvir as palavras secretas.

Marcelo Moro

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Fênix





A cada vez que respiro, suspiro
Com o som único de cada um dos mil botões
Abrindo em dois o pano, cor de vinho, madeira
Que me revela quintas em flor, violões
Em canções de amor e presságios de guerra
Estúpida como qualquer guerra
Passível de ser vencida pelos querubins
Que habitam seus cabelos e suas flechas de fogo
Que aos poucos derramam luz do céu

E as vozes grossas e as patas pesadas de mil grosserias
Caem como estrelas devolvendo o caos
E a mão doce, de amor banhada
Recompõe as essências e cria os rios e jardins, perfumarias
E me olha acanhada, sofrida
E me faz crer que é preciso alquimia de nós
Deuses astronautas, pacientes seres viajantes do tempo
Amantes ao vento de um dia de sol

Marcelo Moro

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Haikai 1 -11



Haikai 1


Eu te espero
Meto-me em desejar
Tanto que quero

Marcelo Moro

Haikai 2


Flores em você
É o que sempre vejo
Poemas e sons

Marcelo Moro


Haikai 3

Sopro do Dragão
Aquele tatuado
No fim do Mundo

Marcelo Moro


Haikai 4

Fios dourados
Ouro ornamentando
A pele ao sol

Marcelo Moro


Haikai 5

O céu enluta
Flores choram seus perfumes
voz que se cala

Marcelo Moro

Haikai 6

Não há silencio
Antes existem gritos
Dor, prazer, gozo

Marcelo Moro


Haikai 7

Me é proibida
Mas tenho a ousadia
Toco com poemas

Marcelo Moro


Haikai 8

Teu suor em mim
Imaginação Fugaz
A noite te traz

Marcelo Moro


Haikai 9

Dos olhos aos pés
Você me conquista
Entra nos poros

Marcelo Moro


Haikai 10

Quem te faz feliz?
O que te faz suspirar?
Intenção, gesto?

Marcelo Moro


Haikai 11

Porque foges só ?
Juntos, seria mágico
O belo, a cor

Marcelo Moro

*são desejos cada um dos Haikais, são resumos de sonhos e imaginações, sentimentos e sensações, sentidos que afloram da alma pra caneta, desenhos que nascem da mágica posição entre o real e o antes que adormeça...

domingo, 9 de dezembro de 2012

Grito




O grito escuro, estrábico, estranho
de dor, de amor, de ódio
de ócio, de ópio, caos
se te escondem a verdade, grita
o grito calmo, calvo, estúpido
ruído surdo, cáustico, único
Causa, efeito, cheiro e cor
emoção, comoção, vibração, horror
O grito mórbido, movimento
seco, óleo, pensamento
protesto, evento, ato
ranger,suor, fato
Grita ao nascer, ao verter, ao gozar
Grito de saco cheio, pasmo
grito de dor, orgasmo

Marcelo Moro

sábado, 8 de dezembro de 2012

Despretensiosa Delícia




Os pés descalços pela estrada mansa
A cor do céu no seu vestido
Se estivesse onde a minha mão alcança
Colocaria uma flor amarela em seu cabelo,
Para quebrar a monotonia, mudar seu ritmo
Traduzir seu pensamento em frases num muro

Contar meu tempo em seu colar de conchas
E a tarde passaria calma
Deixar exalar sua essência, perfumando minha alma
Girar o corpo, assim como gira a vela num sopro, navegar
Espiar por entre as frestas dos seus olhos
E te ver vestindo o mar

Marcelo Moro

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar ...Ah !! Oscar





Lições de Arquitetura

No ombro do planeta(em Caracas)
Oscar depositou para sempre uma ave
uma flor
(ele não faz de pedra nossas casas: faz de asas)

No coração de Argel sofrida
fez aterrizar uma tarde uma nave estelar
e linda como ainda há de ser a vida
(com seu traço futuro Oscar nos ensina que o sonho é popular)

Nos ensina a sonhar mesmo se lidamos com matéria dura:
o ferro o cimento
a fome da humana a arquitetura
nos ensina a viver no que ele transfigura:
no açúcar da pedra
na argila da aurora
na pluma da neve
na alvura do novo
Oscar nos ensina que a beleza é leve

(Ferreira Gullar)

*pensei em escrever algo, alguma poesia em nome da curva, em nome do homem que nos ensinou que a beleza é leve, mas esse do Gullar é mágico, é todo, talvez eu ainda escreva ...