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sábado, 22 de dezembro de 2012

Décimo Surrealista





Quero provar da tua língua a saliva, me leva,
Ver-te fruto proibido, e tocar-te o proibido fruto,
Com golpes de língua sem veneno, não cabe ao veneno função.
Sentir então teu gosto, apurar, perceber todas as essências,
Dizer-te bobagens, abrigar-te nos braços,
Deixar-te vermelha e tesa, empinar-te os seios como quem beija a lua,
Sugar-te, lamber-te, deixar-te nua,
E quando em fim dobrada em gozo gritas,
Amparar-te sábio, homem, macho;
E entrar em ti como quem entra em casa
Como quem tem a chave
Mágica, sensual, brasa.

Marcelo Moro

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Nono Surrealista




Como poeta posso ser
Dono das linhas, do lápis, das minhas imaginações
Como profeta adivinhar-te o futuro
E colocar num muro surdo suas previsões
Como visionário te ver exuberante
Num vestido azul turquesa

Ocorre agora que sou homem
E quero ser o corpo que você acha gostoso
O rosto que você acha bonito
O espelho, o orgasmo, o novelo
O livro que você lê e escreve nas suas paginas
O vento que esvoaça e bagunça seu cabelo

Ser a noite em que se perde
A musica que você dança, e canta e sua
A brisa que toca seu corpo nu
Nas manhãs em que esquece aberta a janela
Estar perto se chora, se deseja, se espera
Ser o invisível aos olhos, ser o que se sente

Seu filme, seu perfume, seu pecado
Seu crime sem castigo, inconfessável
O macho, o doce, o anjo, o torto
Sua vida em vitral, o cais do porto
Seu céu , astral, a estrela que te guia
Seu signo, destino, família, tudo , par

Marcelo Moro

Oitavo Surrealista





Dentro dos olhos nus, não é mais abstração
Dentro do corpo nu, império dos sentidos
flui pelo sangue, visão
rosas vermelhas que vi essa manhã
numa banca qualquer, cor de fogo
fogo paixão, óleo sobre tela

Não é mais uma brincadeira de papel e lápis
é amor de verdade
em essência, em pétalas e caule
amor vivo que dissipa ardores
amor vivo que revive amores
luzes e cores novas toda manhã

Marcelo Moro

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sétimo Surrealista







Te dispo
Te visto, de seda cinza chumbo
Solto seus cabelos, dou a volta ao mundo
Olho a bússola imprecisa
Aureolas rosas escondidas , rosa dos ventos

Prazer infinito,
Dona de um sorriso bonito e dourado
Não sei se te devoro
Ou se te dou um carinho delicado
Algo entre a criança e o voraz

Tudo que me pede, farei
Escravo sob suas leis
Senhor do teu juízo
Algo impreciso, puro tesão
Mãos que devoram mãos

Não me faltes
Em manhãs ou noites
Coloridas ou cinzentas
Não me falte nunca
Pura, abusada, liberada, ciumenta

Marcelo Moro

Sexto Surrealista




O olhar pra uma janela, na diagonal do tempo
O vento veloz , azul pensamento atroz
Sei que tuas mãos manejam o fogo
Sei que o tom triste desse sorriso esconde desejos
Enigma pra onde corro quando sofro
Decifrar-te seria querer-te
Sabiam meus olhos quando fizeram contato
Mesmo assim arriscado e feliz
Deixei - te passear entre as minhas flores
Desorganizados girassóis, óleo sobre tela
Imaginar cheiros e gestos torna-se doutrina dos versos
Ser livre para dançar em torno da fogueira, acaso
Os vales e campos são seus olhando da escarpa
Seus olhos são os que varrem a solidez da tarde
Precipitando a noite surreal
Onde estrelas e velhos marinheiros se amam
Onde poetas e sorrisos ocultos se encontram
Mesmo que seja no recôndito remoto da alma
Mesmo que sejam nas paginas de um livro
Mesmo que sejam em pedaços pequenos de vidro

Marcelo Moro

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Quinto Surrealista





Mesmo se tentasse, por todos os seus erros
Precisar a duração dessa noite
De nada adiantaria
Porque os caminhos dos ponteiros continuaram os mesmos
Foi só a alma quem parou
Desorganizada teoria

E se assim pelos poros vertessem perfumes
Nessa noite seriam os venenos o que destilariam
Os mais perigosos, coloridos e mortais
Inocentes olhadas no espelho
Por cima dos ombros tanto faz
Se a noite jaz ou se jaz o dia

Se tentasse entender, a loucura te tomaria
E ganharia as ruas como eu ganhei
Não para desafiar os joelhos
Cegos, surdos e pagãos
Mas para olhar a lua sem dores
E as coisas voltariam para onde estão

Seis, sete, oito da manhã
As bancas vendem manchetes
Crimes e novas vedetes
Capitalismo sem juízo,
Me junto ao bando que da lua nada sabe
Sabem apenas das horas

Iluministas e iluminados
Bêbados e equilibristas
Todo mundo voltando para casa
De onde eu não deveria ter saído
E onde os ponteiros me oprimiam
Mesmo com a lua tão bela na sacada da sala

Marcelo Moro

Quarto Surrealista




Das mãos esquálidas que tocam a pedra nua entalhada
Brotam chamas azuis que em laranja se tornam
Focam-se pares de olhos sobre a batalha de cavalos
Se distraem, e a mente se esquece das perigosas diagonais
Esperança tornada em jamais, em torrentes de perdas
Muros que se interpõem caem
Lábios que se propõem, beijam
Ah! Como gostaria que não houvesse medo
Nem tampouco pudor nesse segredo
Viagem das mãos, jovens capitães.

Marcelo Moro