Início

sábado, 27 de abril de 2013

terça-feira, 23 de abril de 2013

Codinomes




Ele vaga feito o vento entre o asfalto e o céu sedento de caos
Ela faz as contas , quantos dias faltam para um encontro fatal
Pra ele o chão se abriu e quando ressurgiu estava a esmo
Pra ela a estrada então seguiu e por encanto ela quis mais do mesmo

Ele passou noites entre a insônia e  o pecado original
Ela fez de conta que o mundo girava pra si , etc e tal
Pra ele a porta se fechou e quando percebeu estava com medo
Pra ela o tempo se esgotou e esqueceu de tudo muito cedo

Ela é um anjo castanho
Ele uma tempestade
Dois codinomes frios
Num final de tarde

Marcelo Moro

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Encontro de céu e mar




Entre os afrescos e paredes mal vestidas
Entre os  olhos do bem e do mal
As figuras ficaram esquecidas
Como um vestido em um varal

 
Ao vento fios dourados
Luzes sobre um mar em arrepios
Aos olhos os quentes lábios
Os pensamentos ficaram vazios

 

As intenções se intensificaram
A sede de um canto qualquer
Onde em imaginação se apertaram
Dedos e lábios, doce e colher

 

Querer-te bem é querer- te, sem mais
Despojar os sonhos ao léu
Inverter os sentidos do cais
E te ver de novo vestida de mar, de céu.


Marcelo Moro
 

sábado, 13 de abril de 2013

Do outro lado do espelho




Para quem navega,
Mares mais  profundos que verdadeiros mares
Almas, Ares
Sal, áries e caos
Estrelas, apenas as navegue
Não as renegue se nessa noite não brilharem
Suavemente as desenhe nos azulejos
Passos, botas em planos infinitos
Não sinto o que apenas vejo
Mas toco o que me é proibido
Porque ouso quebrar os espelhos
E te chamar pelo nome que acho bonito

Marcelo Moro

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Nem sorte ou azar





Rolaram os búzios
Sopraram os dados
E alinharam-se os planetas
Sapatos caíram em desuso
Cagaram regras alinhadas
E aceleraram os gametas

Quando ela sobe “la rambla”
Quando ela desce a ladeira
Quando ela mexe as cadeiras
Quando ela sua pelas tampas

Calaram os anjos
Fecharam as portas das igrejas
Desalinharam-se os cabelos
Desafinaram os banjos
Tiraram o Rum das cerejas
E ignoraram os apelos

Quando ela solta o cabelo
Quando o sol doura sua pele
Quando ela olha no olho e pede
Quando tolo ignoro e não vejo


Marcelo Moro

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Línguas de Fogo




Boca que me faz falar línguas
Que imagino lasciva a falar nos meus ouvidos
Que percebo molhada pescoço abaixo, ombros a dentro
Que sinto arrepiar quando mela meus mamilos
Que me acaricia a alma fazendo latejar meus rijos sorrisos...

Falo línguas na sua língua
Crua, com gosto de sal que vira mel ao decorrer do desejo
Que apetece e desliza, que enloquece quando molha de saliva
A sua flor, a sua verdadeira flor desabrocha noite a dentro
Não se cala, fala, inventa idiomas,
Língua de sodoma, de creta, da ilha perdida ao sul do seu corpo
Chama sobre a pira que me derrete as asas e traz pro chão ...


Marcelo Moro

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Anjo escondido



Nasce do desejo
De te ver morena à meia-luz
Espalhando seu cheiro
Como gotas que escorrem dos cabelos
Da nuca ao final das costas, onde converge o encanto
Onde talvez habite uma tatuagem que exponha sua alma

Pele de pétala, macia, botão em flor
Odalisca que na lua brilha
No jogo de espelhos tudo se mostra
Tudo se move amparado em saltos
E as gotas, água, suor, arpejo de guitarras
É bom sonhar, um desejo calmo
 
Marcelo Moro