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terça-feira, 7 de maio de 2013

Noite Oculta




Nesse lugar onde o vento não voa
E fica preso nas cortinas espessas
Onde a luz é apenas reflexo dos olhos à toa
Através da fumaça densa

Então é ali que os perfumes se encontram
Se tornam alfabetos de cegos
E se procuram sem formato de rostos
E se deliciam quando as línguas se pegam

Sabem serem proibidos, pelo tato
Pela juventude doce e o amargo do tempo
Mas libertam os ventos quebrando as janelas
E suas mãos se entrelaçam numa estrela, a mais bela

São 12 sentidos numa noite tão simples
São sussurros aflitos viajando lentos
Antes são momentos concretos do surrealismo
Vacância sutil entre intenção e gesto

A ausência da luz faz as formas na mão
A leitura completa do seu eu escondido
Aquele grito, aquele suor escorrido
Aquele arrepio do certo ao avesso

Marcelo Moro


terça-feira, 30 de abril de 2013

Carminere



Sob o ritmo lento do céu desce leve o vinho
Escorre pelo vidro feito os véus
Que escorrem pelos ventres de mil dançarinas
E se aparam nos quadris da modesta menina do deserto
Que tem os olhos longes do universo e pertos da sina
De viver mil dias controlando as marés

Ontem mesmo a Lua estava Cheia e Carmim
Dona da noite, dona de mim
E seu perfume desconhecido passou desapercebido no vento
Enquanto dançava desenhando o fogo
O novo e o sereno, o mágico corpo moreno
Destilando venenos e sorrisos dopados de prazer

A noite sobre mim caia
E a cada voz distante ouvia a sua
Chamando para rua, para dança, para o motim
É assim que pinto minhas flores da noite
Com tons de carmim e com sabores exóticos
Ao sul a mesma lua prateia seu corpo, o mar e o fim.

Marcelo Moro

    domingo, 28 de abril de 2013

    Haikai 12 e 13




    Haikai 12

    A Noite brilha
    A Lua irradia prata
    Sonha menina

    Marcelo Moro


    Haikai 13

    Vi tua imagem
    Visão e pensamento
    Falaram ao Sol

    Marcelo Moro



    sábado, 27 de abril de 2013

    terça-feira, 23 de abril de 2013

    Codinomes




    Ele vaga feito o vento entre o asfalto e o céu sedento de caos
    Ela faz as contas , quantos dias faltam para um encontro fatal
    Pra ele o chão se abriu e quando ressurgiu estava a esmo
    Pra ela a estrada então seguiu e por encanto ela quis mais do mesmo

    Ele passou noites entre a insônia e  o pecado original
    Ela fez de conta que o mundo girava pra si , etc e tal
    Pra ele a porta se fechou e quando percebeu estava com medo
    Pra ela o tempo se esgotou e esqueceu de tudo muito cedo

    Ela é um anjo castanho
    Ele uma tempestade
    Dois codinomes frios
    Num final de tarde

    Marcelo Moro

    segunda-feira, 22 de abril de 2013

    Encontro de céu e mar




    Entre os afrescos e paredes mal vestidas
    Entre os  olhos do bem e do mal
    As figuras ficaram esquecidas
    Como um vestido em um varal

     
    Ao vento fios dourados
    Luzes sobre um mar em arrepios
    Aos olhos os quentes lábios
    Os pensamentos ficaram vazios

     

    As intenções se intensificaram
    A sede de um canto qualquer
    Onde em imaginação se apertaram
    Dedos e lábios, doce e colher

     

    Querer-te bem é querer- te, sem mais
    Despojar os sonhos ao léu
    Inverter os sentidos do cais
    E te ver de novo vestida de mar, de céu.


    Marcelo Moro
     

    sábado, 13 de abril de 2013

    Do outro lado do espelho




    Para quem navega,
    Mares mais  profundos que verdadeiros mares
    Almas, Ares
    Sal, áries e caos
    Estrelas, apenas as navegue
    Não as renegue se nessa noite não brilharem
    Suavemente as desenhe nos azulejos
    Passos, botas em planos infinitos
    Não sinto o que apenas vejo
    Mas toco o que me é proibido
    Porque ouso quebrar os espelhos
    E te chamar pelo nome que acho bonito

    Marcelo Moro