terça-feira, 11 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
1987 A-1
Escrevi muita coisa entre 1985 e 1991 que estão perdidas por aí com várias pessoas, não tinha a pretenção de compor nada nem de organizar nada, foram anos anárquicos pra mim, mas comecei a recuperar algumas coisas e não vou intitular o que não tinha título, apenas farei um catálogo.
Esse é de 1987 e estava escrito numa fita crepe muito bem guardada por alguém do período.
1987 A-1
Menina
linda serena
Olhos
perdidos ao longe
Eu tento
buscar
Pra perto
de mim
Em meu ombro
Em minha
boca
Marcelo Moro
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Divagações
Não é apenas uma volta ao passado
Quando se entra na mesma rua
A mente se abre e os sonhos se soltam
Poesia e silencio, verdades nuas
Uma nova visão focaliza
O que antes se vivia sem se ver
São os olhos do tempo sobre os fatos
A nossa versão dos atos
E de auto da fé em auto da fé
Não se consegue mais enxergar a culpa
se quem queima buscando enfrentar
O que mesmo errado nunca muda
Marcelo Moro
sábado, 1 de junho de 2013
Segundo Cotidiano
O vento passeia entre as pernas da menina
O céu seco e azul de outono ensina
E alquimista que é, doura as folhas do jardim
E pobre de mim que enfeito de flores os tons pastéis
Dia após dia o vento espalha aquele perfume
Adocicado quase infantil
E carrega de sutil voo nosso caminhar lento
E o pensamento é vão, é cor, é mão a detalhar seu vestido
E os dias trocam de cor simetricamente
Como sua tez morena empalidece
E como um rito troca de sapatos
Enquanto o vento sopra as deusas e umidece
Marcelo Moro
terça-feira, 28 de maio de 2013
Cotidiano
Não tem um dia,
Que a harmonia desse sorriso
Com o sol lá fora
Não vem me corromper
Não tem um dia
Que por mais triste
Choroso de chuva, cinza
Sua alegria não me contagie
Não tem um dia
Que eu passe sem imaginar
O que seria do dia
Sem essa paz, esse perfume
Não tem um dia
Que não trema o Jardim de Allah
Aos seus passos
Que não brilhe ao seu lume
Não tem um dia
Em que eu não pense
Em ter você nas mãos
E que chova nesse dia
Não tem um dia
Que não sonhe
Uma noite que não veja
Sua estrela no meu céu
Marcelo Moro
sábado, 18 de maio de 2013
terça-feira, 7 de maio de 2013
Noite Oculta
Nesse lugar onde o vento não voa
E fica preso nas cortinas espessas
Onde a luz é apenas reflexo dos olhos à toa
Através da fumaça densa
Então é ali que os perfumes se encontram
Se tornam alfabetos de cegos
E se procuram sem formato de rostos
E se deliciam quando as línguas se pegam
Sabem serem proibidos, pelo tato
Pela juventude doce e o amargo do tempo
Mas libertam os ventos quebrando as janelas
E suas mãos se entrelaçam numa estrela, a mais bela
São 12 sentidos numa noite tão simples
São sussurros aflitos viajando lentos
Antes são momentos concretos do surrealismo
Vacância sutil entre intenção e gesto
A ausência da luz faz as formas na mão
A leitura completa do seu eu escondido
Aquele grito, aquele suor escorrido
Aquele arrepio do certo ao avesso
Marcelo Moro
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