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segunda-feira, 23 de março de 2015

Espectro






Espectro

Pena não poder dizer tudo
Viver de nada em vazio
Como clandestino nesse navio
Enorme e assombrado que é sua alma
Pena faltar coragem de perder a calma
E rasgar o verbo e conjugar a viagem
Misturar à sua mística, minha realidade
Confundir  seu sono já tão conturbado
E terminar a noite vendo a estrela vespertina
Num desabotoar que desatina
Rubra tinta em sua pele
E de calor em calor
De suor em suor , tropeçando nas sílabas
"*Confundindo a lógica
Me perder nessa sua beleza exótica"

Marcelo Moro

*muito de Caetano e pouco de mim


sábado, 21 de março de 2015

Solstício



Solstício
Solstício é troca
De líquidos
De línguas, de vícios
De sol rasante
Por Lua amarela
É mazela
São corpos que dançam
Envolta do fogo
Envoltos em chamas
É sacrifício
Por um dia melhor que o outro
É desenho impresso no corpo
Para que se lembre o passageiro
Que ele não passa disso
Diante da grandeza do infinito
E de suas regras
O Solstício é troca de cores
É bonito
Tem hora marcada
E não tenho nada com isso
Se sei enxergar a dança
E se danço a serenata

Marcelo Moro


quarta-feira, 18 de março de 2015

Flor de outono



Flor de Outono

Outono batendo à porta
Belo final de tarde frio
O Jardim de Allah vazio
O Outono é o conjunto da obra
Chuva mansa, o tom de cinza
A lã barata da menina que passa
Seu guarda chuva psicodélico
O sofrimento velho
Gradiente entre Deus e o Diabo
Uma bela flor perdida poeta
Em meio desse devaneio
A boca dela, o caos e o tiroteio


Marcelo Moro  

terça-feira, 17 de março de 2015

Amar é ( Desafio de escrever)


Sobre as Sardas





São defeitos?
Antes são mapas
Acertos de rotas
Ilhas dispostas num mar calmo
Charmes
Toques de arte do sol

Imperfeições?
Antes são estrelas, mapas astrais
Constelações
Filhas ultra – violetas
De um Deus faminto
Princesas de um universo extinto

Mau gosto?
Antes são contrapontos
Doses antimonotonia, equação
Que te fazem mais interessante
Mesmo que os tolos e os caretas
digam que não

Marcelo Moro

K'abel



Uma deusa maia
Por isso o Mar vem e vai
Em reverência
Súdito e amante secreto
Incandescências de sal e luz 
Intenção e gesto

E o deus – menino sol
Estrela flutuante
Doura sua pele e antes
Te devora 
Para que não sobre dúvidas
Da divindade que te aflora

É sim uma deusa maia
Puro sangue
Que deságua nesses nossos litorais
Sempre que esquenta
E que arrebenta
Exibindo tão belo caminho para Eldorado


Marcelo Moro

In Natura


In Natura

Sem nada,
Nenhum corretivo,
Expressivo, delineante
Nada mesmo
Estonteante
Apenas pele
Lábios e sangue
Ombros e cabelos pairando
Sobre o espelho
Impressões digitais
Nada demais e nem de menos
Tudo exato
Exótico, caótico
Sonho de consumo

Marcelo Moro