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segunda-feira, 26 de março de 2012

Dor Cigana




Uma viagem
Luz do sol tragando vapores da manhã
Como se traga o carmim encarnado
De uma taça de vinho da noite passada
Esquecida, escriba anciã de verdades
Letras antigas em um velho papel

Bordaste a mão seu vestido
E o usaste pra uma bela dança
Que exalava luz e perfume
Cigana Andaluza,
Nas patas de seu cavalo o fel
Nas mãos o lume pra perdida noite

O gosto de céu,
O cheiro de chão
Nos seus olhos brilho e vão
Onde se consome a casa
Passado a fio de espada
O corpo frágil, seu

Marcelo Moro 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Sombras



Há cada dia respiro o pó do outro dia
sigo, alma impregnada de crime e castigo
Não, não se nasce a cada dia outra vez
Se vive, acúmulo de fórmulas mágicas, apenas sigo

Marcelo Moro

terça-feira, 20 de março de 2012

Câmera Fria



no coração do outono  pulsa o vento
gélido, as vezes violento arrebenta as janelas
traz ao pensamento frases sinceras
pedaços e palavras de velhos poemas

as imagens falam, sejam de ruelas na Irlanda
sejam sobre frutos no quintal
sejam de cabelos vermelhos, feito vinho
sejam do brilho perfeito de um olho feito de vidro

apologia do amor e do caos
fáceis versos de Neruda
onde fulano de tal, qualquer um
pode fazer o que o inverno faz com as cerejeiras

sexta-feira, 16 de março de 2012

Câmera Louca


Arrepio
Pode ser do vento,do pensamento, de um toque meu
Pode ser do nada, pura pretensão
pode ser o seu tesão, simples assim, solitario
e eu me compreendo o escultor do teu gemido
o pintor do seu sorriso, o poeta dos seus passos
eu me sinto seu orgasmo, mesmo que nao seja nada
e isso me faz ser mais, menos nao me importa 
isso me faz ser a sua imaginação
minha pretensão ao guiar seus dedos
ao te pedir um grito, meu rito, seus segredos

Marcelo Moro


segunda-feira, 12 de março de 2012

Câmera Cega



O azul da luz

da parede, do vestido a transparência

O dourado da pele

o rosto selvagem, o tato

os lábios que morde, diz, escreve

porque não vejo

se atreve a pegar minha mão

conduz, ensina o ato, braille

lendo lento teu corpo magico

com os olhos da imaginação


Marcelo Moro


quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulher



A delicadeza, o carinho, a fé infinita, a pele macia, o hálito de maçã, a dúvida, a dor, a cólica, as regras, o parto, a vida.
O desenho do corpo as formas dos seios, a cabeça, guerreira, guerrilheira, mãe solteira, profissional, camponesa que o sol torra, patricinha que o sol bonzeia, filósofa, psicóloga, mãe.
 Adoro quando a mulher diz : - Frágil é o caralho- Mas gosto quando faz as unhas, o cabelo, cuida da pele, a mulher é um enigma profundo e sem solução, é uma dádiva e uma divida, a costela mais que perfeita, enlouquece, pira, subverte, submete-se, faz feliz, bota na fossa, doidas, santas, independentes, à rigor ser humano.
 Marias e Madalenas, cantigas e cantilenas, poesia mais bela, flor que balança ao vento, viga, alicerce, vão...

Parabéns seres raros, todo meu respeito e admiração

terça-feira, 6 de março de 2012

À toa




não sei se é o certo ou errado
se é quente e eu vejo frio,
se é frio e eu esquento,
se é nada e vejo tudo
se tem tudo para ser algo e eu demoro
ou se tenho pressa e assusto


sei que me dá paz, é éter
já pensei em flores para adular
em chocolates para adoçar
mas temo que fujas para as brumas
e de lá não saia sem uma boa conversa
ou de lá não saia nunca mais esse coração  de labirinto

eu sei que te olho
e cuido com o olhar, e cultivo com poemas
eu sei que abençoo seus passos  e te desejo sorte
eu sei que curto teu andar
teu olhar desconfiado, teu medo das pessoas
só sei que te gosto assim á toa

Marcelo Moro