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domingo, 30 de dezembro de 2012

Ato




Na indecisa decisão de se abrir o ultimo botão
Na incerta certeza de dispor-se das meias
Surge a canção, tatuada nos ombros,
Onde o beijo é um teste atômico, viajando pelas veias
E a língua varre os confins, como um tsunami
E da sua razão sobram escombros
E da sua religião a Genuflexão em tons de veludo
E o abuso é te elogiar nos ouvidos, inundar
E um beijo fugaz deixa mudo , zonzo
E as cortinas escancaradas , esquecidas

Marcelo Moro

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Soneto 1





Não é apenas uma xícara de café meu chapa
É um mar escuro, é um vício, uma ficção
É companheiro na solidão
Inspiração do poeta

É um exagero, um orgasmo
Traz à tona pensamentos e paixões
Vence desertos com  estimulações
Cachos de cabelos formando maremotos

E por falar em paixões e maremotos
Estimulações e orgasmos
Fecho contigo e faço votos

Que quando acabar, assim morra
Teu sabor em minha língua
E imagem doce dela como previsão na tua borra

Marcelo Moro

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Soneto 2




onde te leva toda essa arrogância ?
essa ignorância sobre o amor ?
essa estupidez com a flor ?
essa errante fragrância de fel ?

onde te leva essa resistência ?
sabendo que os heróis são outros ?
onde chegará a altura desse muro?
e se precisar das pedras para fazer pontes?

e quando faltar a luz?
e quando faltar a gasolina?
e quando faltar quem carrega sua cruz ?

e quando estiver sozinha ?
e quando quiser chorar e culpar ?
e quando faltar a letra na linha ?

Marcelo Moro

Futuro do Pretérito





Um amigo me disse, cego!
Não vês o corte da faca
Vês menos a fronteira da razão
Respondo, amigo
O que pingo nos olhos são gotas azuis
Um colírio além da imaginação
Uma tinta de tempero surreal

Se assim fosse, cego
O toque me bastaria
Quem toca igual perfume virtual
Perde-se
E de nada valeria manter-se são
Vê-se no espelho um igual
Porque se conhece

Gotas, tintas, perfumes
Nuances que descrevem
Quem sabe a cor do seu vestido
Escrevem Transmutações de sentidos
Me perco no que acho
Das ondulações dos seus cabelos
Filosofa da razão

Quem se importa
Se me chamam cego
Importa –me mais o que pensas
No meio da noite
Suposições e crenças
Deitada nua ao meu lado e sem desejo
Isso me faz de fato cego

Mas se apenas uma centelha
Uma que seja brilhe
Entre uma gota de vinho e outra
Entre uma gota que escorre
Marota por entre as curvas do decote
Olhar que se fixa e morre
Meus olhos se abrem, me torno vivo

Mas enquanto tudo é cinza
Sopro a brasa e espero
Faço de conta que acredito
Na voz côncava do amigo
Que me chama de cego
Mas me escondo no convexo
De ser um incorrigível.

Marcelo Moro

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Décimo Segundo Surrealista




Nas tardes-noites de dezembro,
Eu deixo a cidade pra trás
E costumo olhar pelo espelho
Quando o sol se derrama vermelho
Entre as brechas dos edifícios e catedrais

Costumo localizar as coisas
Ruas, esquinas, escadas,
Imagino quantas noticias de jornais
São tecidas no momento que vejo
Alguém morre, alguém nasce, desaparece; pra nunca mais
  
Muitos amam, odeiam, matam-se,
Fogem, prometem e roubam,
E o importante é a luz que se faz
Um pouco mais cedo a cidade parecia dourada,
Ardia em brasa, asfalto, solo de sax, flores de plástico,
  
Tenho tido esse sonho muitas vezes
Por muitos dias seguidos,
Sonho real, tantas vezes já vi esse quadro,
No sonho estás comigo, encantada, mágica, assim,
Te mostro pelo espelho e você sorri pra mim

Marcelo Moro

sábado, 22 de dezembro de 2012

Décimo Primeiro Surrealista




O mar prata sob a lua,
A garota na praia, estrela nua,
O desejo sobre as pedras,
Dedos, línguas, toque do fogo,
O novo, o gozo, as pernas tremulas,
Derrete-se, esquece tudo que gira ao redor,
A cabeça gira, pomba gira doida,
Grita, morde, arranha,
Desorganiza o cabelo, arranca;


A caminho do mar, a saia branca balança,
Meus olhos a seguem onde a vista alcança
A água, o sal, o azul marinho,
Grito seu nome, indecência,
Rouba-me a noite das mãos sua inocência
Curvo –te o corpo, e entro, espuma branca ganham os joelhos,
Entro em ti fundo, estremeço,
É o começo e o fim, é o meio;
O gozo escorre, meu, teu, desejo...

Marcelo Moro

Décimo Surrealista





Quero provar da tua língua a saliva, me leva,
Ver-te fruto proibido, e tocar-te o proibido fruto,
Com golpes de língua sem veneno, não cabe ao veneno função.
Sentir então teu gosto, apurar, perceber todas as essências,
Dizer-te bobagens, abrigar-te nos braços,
Deixar-te vermelha e tesa, empinar-te os seios como quem beija a lua,
Sugar-te, lamber-te, deixar-te nua,
E quando em fim dobrada em gozo gritas,
Amparar-te sábio, homem, macho;
E entrar em ti como quem entra em casa
Como quem tem a chave
Mágica, sensual, brasa.

Marcelo Moro