Não sei porque cargas d’água
Ignora com seus olhos minha mão
Estendida no olho do furacão
Para te tirar da tormenta
Aqui, como diz o poeta
Ninguém te atingiria
“Nem com mãos vazias e nem pedras”
E um beijo calaria teu grito, tua ira
Mas calou tua voz para mim
Fechou suas mãos, desagravo
Leu o livro pelo fim
Deixou minha vez descer pelo ralo, como a tinta dos cabelos
Ignorou a promessa de girar mais lento
Mesmo em meio ao vento mais forte, tempestade
Se fechou na concha profanando a obra de arte
E permitiu bolor, limo, e restos de existência ocultar as estrelas
Antes que eu bata à porta e te incomode de novo
É preciso chover no deserto
É necessário encurtar o tempo dos dias
E nas noites deixar no tapete a chave que abra o cadeado certo
Marcelo Moro

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