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sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulher


A delicadeza, o carinho, a fé infinita, a pele macia, o hálito de maçã, a dúvida, a dor, a cólica, as regras, o parto, a vida.
O desenho do corpo as formas dos seios, a cabeça, guerreira, guerrilheira, mãe solteira, profissional, camponesa que o sol torra, patricinha que o sol bronzeia, filósofa, psicóloga, mãe.
Adoro quando a mulher diz : - Frágil é o caralho- Mas gosto quando faz as unhas, o cabelo, cuida da pele, a mulher é um enigma profundo e sem solução, é uma dádiva e uma dívida, a costela mais que perfeita, enlouquece, pira, subverte, submete-se, faz feliz, bota na fossa, doidas, santas, independentes, à rigor ser humano.
Marias e Madalenas, cantigas e cantilenas, poesia mais bela, flor que balança ao vento, viga, alicerce, vão...

Parabéns seres raros, todo meu respeito e admiração

Marcelo Moro

quarta-feira, 6 de março de 2013

Diário de Galileu



As passagens da alma, secretas e pagãs
Anotadas à luz de velas, a mente se conserva sã
Mesmo que negar a verdade seja a saída
Não a melhor, apenas a saída
Lágrimas nos olhos que viram incrédulos anéis em Saturno
Lágrimas nas lentes dos seus olhos noturnos
Sal sobre o céu, fogo cristão

Pesada foi mão que se lançou sobre seu diário
Suas verdades no armário, experiências e decisões
E o velho sábio viu roubada sua ingenuidade
Extraviados os seus conceitos, condenadas suas visões
E às voltas com o fogo que purifica, mentir, se enganar
Ceder as mãos pra que sejam trucidadas.
E de tarde sentado sobre os vitrais sentir ventar

Marcelo Moro

segunda-feira, 4 de março de 2013

Despretensiosa




Os pés descalços pela estrada mansa
A cor do céu no seu vestido
Se estivesse onde a minha mão alcança
Colocaria uma flor amarela em seu cabelo,
Para quebrar a monotonia, mudar seu ritmo
Traduzir seu pensamento em frases num muro

Contar meu tempo em seu colar de conchas
E a tarde passaria calma
Deixar exalar sua essencia, perfumando minha alma
Girar o corpo, assim como gira a vela num sopro, navegar
Espiar por entre as frestas dos seus olhos
E te ver vestindo o mar

Marcelo Moro

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Soneto da Humanização




O que levar na mala?
Apenas sonhos que traduzam línguas mortas
E antigos poetas que me habitam
Talvez a chave de alguma porta

Uma velha camisa xadrez
Os dois dedos finais do conhaque
A língua solta e a coragem
Algo que ainda me encante de Chico Buarque

Uma foto da minha sala
A lembrança da sua fala
A jaqueta jeans desbotada


A herança dos concertos
Do papo que varava a noite
Meia dúzia de sonetos

Marcelo Moro

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Mensagem Subliminar



Das paixões que se experimenta sempre ali no escuro da noite,

corpos suados e moídos, mãos entrelaçadas

o que sobra na manhã seguinte é um sopro, uma espera

voz que fala aos sentidos, quimera

 

Adoro essa conspiração, essa inconfidência

essa renúncia  da realidade em favor do surreal

gosto do nosso jeito de falar, código dos deuses astronautas

a lingua que nós inventamos pra dizer que  fazemos falta

 

Do jeito que me chama , império dos sentidos

sobra o eco sobre noites incandescentes

gosto dessa voz indecente quando me conta segredos

sempre de um jeito mitológico, usando combinação de cores

 

Adoro nossos códigos, códices arqueiros

Adoro ser o andarilho que te acha comida na noite fria

sei que entende tudo o que falo até mesmo quando calo

porque nossas palavras são flechas finas diretas ao coração

 

me pediste para te ensinar a ver com os olhos

sou mestre e escravo a sua disposição


Marcelo Moro

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Soneto Vazio




De tão intenso torno-me mortal
Fulminado por uma noite sua
Exagero e pretensão
De quem se quer conhece teu olhar

Mas imagina tua textura
Pinceladas a mão livre
Livre arbítrio
Madrugada e rude pintura

Mesmo que rasgue o vulgar papel
Que manche a tela
Vou querer vê-la de volta

Sentir o vazio do teu não ser
Pra sentir a presença
Aguda e reverente de um toque seu

Marcelo Moro

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Abstração





Você é linda
Teu sorriso exalta o sol,
A fresta da janela,  o cabelo escorrido nas costas, molhado
E eu, atordoado a imaginar tatuagens, homenagens em sua pele de cristal

Você é doce,
Raros pelos quase sem cor reluzem do teu íntimo
E eu ínfimo poeta a me imaginar dono do Armagedom
Domador do seu gozo que faz mudar as cores, o tom

Você ainda é pintura
Óleo sobre tela de um desconhecido autor
Que me fez viajar pelos contornos sem rumo
E te sentir em sonhos tão reais, sonhos em flor

Marcelo Moro