Dança no meu quintal
Jovem amante da chuva Dança livre, leve
Que te olho da janela
As vezes mudo, sereno
Outras vezes caos e ira
Mas dance sempre bela
De branco e com flores nos cabelos
Dança para meu prazer, minha sina
Que sempre ouço tua voz, leio tuas linhas
E desejo bagunçar sua essência
E desaparecer quando me chama
E ignorar sua insistência
E ao te chamar de minha querer que não seja
E depois como um doido varrido chorar sua ausência
Dança para quem tem a chave do seu mundo
Dada por livre e espontânea vontade
E que na verdade não sabe qual porta abre
Nesse corredor e estranho e profundo
Que é seu olhar quando cala
Dança sem dor, sem remorso, apenas dance
Gaste os saltos dos sapatos até quebrarem
Até os últimos sons cessarem
E proclame o outono com um grito
Que faça cair todas as folhas
E que encha meus olhos de vidro
Marcelo Moro






