Início

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Nem sorte ou azar





Rolaram os búzios
Sopraram os dados
E alinharam-se os planetas
Sapatos caíram em desuso
Cagaram regras alinhadas
E aceleraram os gametas

Quando ela sobe “la rambla”
Quando ela desce a ladeira
Quando ela mexe as cadeiras
Quando ela sua pelas tampas

Calaram os anjos
Fecharam as portas das igrejas
Desalinharam-se os cabelos
Desafinaram os banjos
Tiraram o Rum das cerejas
E ignoraram os apelos

Quando ela solta o cabelo
Quando o sol doura sua pele
Quando ela olha no olho e pede
Quando tolo ignoro e não vejo


Marcelo Moro

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Línguas de Fogo




Boca que me faz falar línguas
Que imagino lasciva a falar nos meus ouvidos
Que percebo molhada pescoço abaixo, ombros a dentro
Que sinto arrepiar quando mela meus mamilos
Que me acaricia a alma fazendo latejar meus rijos sorrisos...

Falo línguas na sua língua
Crua, com gosto de sal que vira mel ao decorrer do desejo
Que apetece e desliza, que enloquece quando molha de saliva
A sua flor, a sua verdadeira flor desabrocha noite a dentro
Não se cala, fala, inventa idiomas,
Língua de sodoma, de creta, da ilha perdida ao sul do seu corpo
Chama sobre a pira que me derrete as asas e traz pro chão ...


Marcelo Moro

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Anjo escondido



Nasce do desejo
De te ver morena à meia-luz
Espalhando seu cheiro
Como gotas que escorrem dos cabelos
Da nuca ao final das costas, onde converge o encanto
Onde talvez habite uma tatuagem que exponha sua alma

Pele de pétala, macia, botão em flor
Odalisca que na lua brilha
No jogo de espelhos tudo se mostra
Tudo se move amparado em saltos
E as gotas, água, suor, arpejo de guitarras
É bom sonhar, um desejo calmo
 
Marcelo Moro

terça-feira, 26 de março de 2013

Afrodite no quintal




Dança no meu quintal
Jovem amante da chuva
Dança livre, leve
Que te olho da janela
As vezes mudo, sereno
Outras vezes caos e ira
Mas dance sempre bela
De branco e com flores nos cabelos
Dança para meu prazer, minha sina
Que sempre ouço tua voz, leio tuas linhas
E desejo bagunçar sua essência
E desaparecer quando me chama
E ignorar sua insistência
E ao te chamar de minha querer que não seja
E depois como um doido varrido chorar sua ausência
Dança para quem tem a chave do seu mundo
Dada por livre e espontânea vontade
E que na verdade não sabe qual porta abre
Nesse corredor e estranho e profundo
Que é seu olhar quando cala
Dança sem dor, sem remorso, apenas dance
Gaste os saltos dos sapatos até quebrarem
Até os últimos sons cessarem
E proclame o outono com um grito
Que faça cair todas as folhas
E que encha meus olhos de vidro


Marcelo Moro

sexta-feira, 22 de março de 2013

Sobre nossos ácidos




Eu sou romântico
você é prática
Eu deixo tudo plano
E você tem curvas demais e frases ácidas
E nós fazemos planos
E amamos os planos que fazemos
Somos um livro interminável
Indefinível , inexplicável
Sem prefácio e fim

Marcelo Moro

terça-feira, 19 de março de 2013

Poema sem Nome




Seu nome é tesão
Vento que atravessa a noite
Em brasa, raio e trovão
Eu vi seu nome escorrer pelos dedos

Poderia ter te feito rir à beça
Não fosse a pressa e a fome de te tocar a pele
Poderia ter te feito a mais feliz das mulheres
Não fosse essas coisas inexplicáveis da vida

Sei que te fiz o samba perfeito
O rock, minha criação mais ousada
Devassa minha imaginação a cor dos teus cabelos
Caídos molhados sobre teu dorso nu

Poderia ter te feito gozar em transe absurdo
Não fosse talvez o vacilo abusado de tirar as mascaras
Faltou pouco e o pouco que faltou foi o muito que feriu
Talvez ristes, arrepiastes, gozastes, gostastes e nem viu

Marcelo Moro

sexta-feira, 15 de março de 2013

Cinza Úmido


Quando abro a janela
De frente para os Jardins de Allah
Sinto a brisa soprar hálito de maçã
E a música do universo viajar
Pelo balanço sutil da menina
Que passa pela imaginação, toda manhã

Ela tem os olhos do passado
E os passos para o futuro
Um corpo, um relicário
Faz dos meus pensamentos, sujos
Conserva seu medo e seu sopro
Guarda Jardins dentro do armário

Traz ouro nos pulsos e marfim nos dentes
Tem fogo na alma,
Fogo calmo e vivo
Que gosto de soprar para ver brasa
E o tempo, e o vento, detalhes pela janela
São belos como os seus jardins mesmo quando chove


Marcelo Moro