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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Terceiro Cotidiano


Já chapei
Fugi
Me esqueci
Saí por aí
Quebrando espelhos
Caras
Bocas
Objetos
Rasguei  fotos
Dancei tangos
E cuspi blues
Já toquei
Tentei
Nasci de novo
Deixei de ver o sol se por
Viajei
Pintei
Li
Escrevi um poema para você
Um monte
Nenhum
Entre os rasgados milhares
Entre os guardados a verdade
Já chorei
Sofri
Me sujei
Implorei
Ressuscitei
E voltei pelo mesmo caminho
De espinhos
De pedra e caos
Levezinho o tom desse vinho
Com cacos de vidros moídos
Morte
Sorte
Sonhos que não acabam

Marcelo Moro

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Noites de Junho




Cai a noite, cai o frio e a névoa de junho
Sobem vassouras levando as donas da noite
Rasgam os céus em fogo e véus
Te olham e te lançam um feitiço
E o enguiço é fugir desse olhar, é se esconder
Numa noite como essa não vale a pena correr
O melhor é se entregar e ver estrelas
E ver no preto parado dos olhos
Lagos, casos, anos e anos de janelas abertas
Olhos que não se fecham, que devoram
Que fitam e que apavoram quem desconhece
A verdade é que existem
Que se escondem quando não se interessam
Mas que aparecem para um voô numa noite de junho 



Marcelo Moro

terça-feira, 11 de junho de 2013

Haikai 15



Noite de chuva
Noite bela, escura
Paz sem estrelas


Marcelo Moro

1988 A-1







*Mais um fragmento que está muito bem guardado com alguém vem a público esse de fevereiro de 1988.





No escuro do meu quarto
Imagino te apertando em meus braços
Minhas mãos deslizando em cada curva
Nesse corpo de menina
Minha boca buscando a sua,
Na imensa paixão que arde em mim.

Marcelo Moro 







sexta-feira, 7 de junho de 2013

1987 A-1







Escrevi muita coisa entre 1985 e 1991 que estão perdidas por aí com várias pessoas, não tinha a pretenção de compor nada nem de organizar nada, foram anos anárquicos pra mim, mas comecei a recuperar algumas coisas e não vou intitular o que não tinha título, apenas farei um catálogo.
Esse é de 1987 e estava escrito numa fita crepe muito bem guardada por alguém do período.

1987 A-1 


Menina linda serena
Olhos perdidos ao longe
Eu tento buscar
Pra perto de mim
Em meu ombro  
Em minha boca

Marcelo Moro 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Divagações


Não é apenas uma volta ao passado
Quando se entra na mesma rua 
A mente se abre e os sonhos se soltam
Poesia e silencio, verdades nuas

Uma nova visão focaliza
O que antes se vivia sem se ver 
São os olhos do tempo  sobre os fatos 
A nossa versão dos atos 

E de auto da fé em auto da fé
Não se consegue mais enxergar a culpa 
se quem queima buscando enfrentar 
O que mesmo errado nunca muda

Marcelo Moro

sábado, 1 de junho de 2013

Segundo Cotidiano



O vento passeia entre as pernas da menina
O céu seco e azul de outono ensina
E alquimista que é, doura as folhas do jardim
E pobre de mim que enfeito de flores os tons pastéis

Dia após dia o vento espalha aquele perfume
Adocicado quase infantil
E carrega de sutil voo nosso caminhar lento
E o pensamento é vão, é cor, é mão a detalhar seu vestido

E os dias trocam de cor simetricamente
Como sua tez morena empalidece
E como um rito troca de sapatos
Enquanto o vento sopra as deusas e umidece

Marcelo Moro