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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Quinto Cotidiano






Você é aquela que merece a carícia da brisa
Bagunçando o cabelo, arrepiando sua morenice
Merece a meiguice de quem ama
E faz jus a imaginação louca do poeta
Que faz gotas descer pelos vãos,
Sinuosa estrada para eldorado
Intocado rincão da poesia
Você é aquela com quem eu riria a noite toda

Você é esse corpo miúdo que explode feito um vulcão
É, respeitosamente, sopro que surfa furacão
É riquíssimo desejo domado por quem te tem
E a nós, imortais olhares, resta a contemplação
Você é oração lançada ao caos
São passos no escuro, saltos, vermelhos e espelhos
É uma tentação homeopática dada a cada dia
Você é a alegria dos olhos das ruas, brisa que arrepia 

Marcelo Moro

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Quarto Cotidiano





Beleza desnaturada
Misturada, passos e dança
Místico olhar azul dourado
Vingança descabida do mundo cruel
Distância, oceanos salgados e etc. e tal
Suspiros que derretem na boca

Pelas janelas jogam panos e pó
Colorindo o mundo quando ela passa
Arrasta estrelas com os pés
E diante dos cacos estou  só
A olhar, a contemplar sua malandragem
Imaginando as rosas que brotam

É lava de um vulcão faminto
Que devora pedra e cal, bons e maus
É dourado tresloucado que trazes nos pulsos
Panos sutis e tranças
Sucubbus sem sonhos , de luz
Cruz de caminhos, transe e vela acesa


Marcelo Moro

segunda-feira, 17 de junho de 2013

sábado, 15 de junho de 2013

1988 A-2

 
 
*esse é de abril de 1988, bem guardado como os outros, tão moderno, tão dias de hoje, hoje principalmente.
 
Eu só queria ficar no seu olhar
Não me afastar do seu corpo
Da sua boca
Não me sentir tão só com essa paixão
Só queria você
Encostada no meu peito
Sentido as batidas do meu coração
Simples assim
 
Marcelo Moro


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Terceiro Cotidiano


Já chapei
Fugi
Me esqueci
Saí por aí
Quebrando espelhos
Caras
Bocas
Objetos
Rasguei  fotos
Dancei tangos
E cuspi blues
Já toquei
Tentei
Nasci de novo
Deixei de ver o sol se por
Viajei
Pintei
Li
Escrevi um poema para você
Um monte
Nenhum
Entre os rasgados milhares
Entre os guardados a verdade
Já chorei
Sofri
Me sujei
Implorei
Ressuscitei
E voltei pelo mesmo caminho
De espinhos
De pedra e caos
Levezinho o tom desse vinho
Com cacos de vidros moídos
Morte
Sorte
Sonhos que não acabam

Marcelo Moro

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Noites de Junho




Cai a noite, cai o frio e a névoa de junho
Sobem vassouras levando as donas da noite
Rasgam os céus em fogo e véus
Te olham e te lançam um feitiço
E o enguiço é fugir desse olhar, é se esconder
Numa noite como essa não vale a pena correr
O melhor é se entregar e ver estrelas
E ver no preto parado dos olhos
Lagos, casos, anos e anos de janelas abertas
Olhos que não se fecham, que devoram
Que fitam e que apavoram quem desconhece
A verdade é que existem
Que se escondem quando não se interessam
Mas que aparecem para um voô numa noite de junho 



Marcelo Moro

terça-feira, 11 de junho de 2013