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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Incandescências




É tão complicado o tempo
Assim como é tão singelo, e simples
É gelado o vento em certa hora da noite
Antes, muito antes do seu olhar cruzar o céu

Sua imagem rasga  o véu da minha decência
E seria inocência ignorar o que falam antigos versos
Incandescência como calar a palavra
É um desafio de sábio homem, silenciar o transverso

Tão inocente, tão presente e viva beleza
Tão uivante e proibido desejo
Tão secreto amparo, tão caro mel novo

Tanto frio perto do fogo 

Marcelo Moro

terça-feira, 23 de julho de 2013

Haikais 1 - 18






Haikai 1

Eu te espero
Meto-me em desejar
Tanto que quero

Haikai 2

Flores em você
É o que sempre vejo
Poemas e sons

Haikai 3

Sopro do Dragão
Aquele tatuado
No fim do Mundo

Haikai 4

Fios dourados
Ouro ornamentando
A pele ao sol

Haikai 5
O céu enluta
Flores choram seus perfumes
voz que se cala
Haikai 6

Não há silencio
Antes existem gritos
Dor, prazer, gozo

Haikai 7

Me é proibida
Mas tenho a ousadia
Toco com poemas

Haikai 8
Teu suor em mim
Imaginação Fugaz
A noite te traz

Haikai 9

Dos olhos aos pés
Você me conquista
Entra nos poros

Haikai 10

Quem te faz feliz?
O que te faz suspirar?
Intenção, gesto?

Haikai 11

Porque foges só ?
Juntos, seria mágico
O belo, a cor

Haikai 12

A Noite brilha
A Lua irradia prata
Sonha menina
Haikai 13

Vi tua imagem
Visão e pensamento
Falaram ao Sol

Haikai 14
Doce e quente,
Seda sobre o botão
Róseo, fervente

Haikai 15

Noite de chuva
Noite bela, escura
Paz sem estrelas

Haikai 16

Cinza vão
Umedece o Jardim
Descem os anjos

Haikai 17

É toda doce
Mesmo quando selvagem
Mel que escorre

Haikai 18

Vazios no olhar
Buracos negros e tal
Beleza dos vãos

Marcelo Moro

*são desejos, cada um dos Haikais, são resumos de sonhos e imaginações, sentimentos e sensações, sentidos que afloram da alma pra caneta, desenhos que nascem da mágica posição entre o real e o antes que adormeça...

Papo de Aranha







A aranha que observo há dias no jardim
É poeta de suas teias, como eu sou poeta de mim
Tece em cinza transparente sua armadilha
Enquanto a tinta penetra em seu corpo, minha trilha

Um mapa que me acha, no sul, no fim
A ilusão que o veneno causa, o suor frio assim
Tem doçura nos lábios , prolonga a dor
A aranha e sua teia o poeta e seu amor

Marcelo Moro



Haikai 18





Vazios no olhar
Buracos negros e tal
Beleza dos vãos


Marcelo Moro

terça-feira, 16 de julho de 2013

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Quinto Cotidiano






Você é aquela que merece a carícia da brisa
Bagunçando o cabelo, arrepiando sua morenice
Merece a meiguice de quem ama
E faz jus a imaginação louca do poeta
Que faz gotas descer pelos vãos,
Sinuosa estrada para eldorado
Intocado rincão da poesia
Você é aquela com quem eu riria a noite toda

Você é esse corpo miúdo que explode feito um vulcão
É, respeitosamente, sopro que surfa furacão
É riquíssimo desejo domado por quem te tem
E a nós, imortais olhares, resta a contemplação
Você é oração lançada ao caos
São passos no escuro, saltos, vermelhos e espelhos
É uma tentação homeopática dada a cada dia
Você é a alegria dos olhos das ruas, brisa que arrepia 

Marcelo Moro

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Quarto Cotidiano





Beleza desnaturada
Misturada, passos e dança
Místico olhar azul dourado
Vingança descabida do mundo cruel
Distância, oceanos salgados e etc. e tal
Suspiros que derretem na boca

Pelas janelas jogam panos e pó
Colorindo o mundo quando ela passa
Arrasta estrelas com os pés
E diante dos cacos estou  só
A olhar, a contemplar sua malandragem
Imaginando as rosas que brotam

É lava de um vulcão faminto
Que devora pedra e cal, bons e maus
É dourado tresloucado que trazes nos pulsos
Panos sutis e tranças
Sucubbus sem sonhos , de luz
Cruz de caminhos, transe e vela acesa


Marcelo Moro