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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Sobre as costas da menina





Uma chave perdida
Que abre portas na noite quente
Uma imagem distorcida que supõe, uma lente
Óleo sobre tela pós-moderno, ardente
Doce menina espelho da lua
Ama e não tá nem aí, na sua
E dá asas a imaginação
E dá corda ao enforcado
E acorda no meio da noite banhada em suor
E desfila no escuro a silhueta e a cor azul da sua aura

Marcelo Moro


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Um poema sem solução



Uma viagem entre harmônicos de guitarra
Ouvi um suspirar no lado escuro da retina,
Numa alameda de acácias
Um passo a mais e lá estava misturada nas sombras

Lavanda sobre a pele,
Os sentidos todos a te sentir
Vestida de ventos e fogo,
Dançando com a brasa de um cigarro

Desenhando no ar as serpentes encantadas dos seus sonhos
Sonhos despojados e guardados no fundo do armário
Para que um dia pudessem brotar
Como um lírio brota sozinho no campo

Marcelo Moro

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Nono Cotidiano





Eu te vejo queimar
Portas trancadas, cidade proibida
Eu te vejo sufocar um desejo a mais
No quase escuro, a língua, a saliva

O que eu vejo ninguém vê
Não como vejo do telhado de vidro
Com o veneno que destilo
Como um destino traçado, escrito

Sobra para ti o sono
E para mim o sonho
E para o mundo o desamparo
De ser privado do que eu vejo

Mãos de sorte que te tocam
E te arrepiam como brisa mansa
Como sempre digo tens brilho
Beleza ímpar que não cansa

És a música bem composta
A fruta madura que os olhos atentam
A ciência oculta digna de nota
O livro que muitos folheiam  sem que vejam

Marcelo Moro



sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Quase Plural






Você tem demais
O calor enxerga
O frio enxerga
O espelho espalha
E os olhos contemplam
O que és ,
O que tens ,
Além do que se vê
É o que sente ,
E o que se sente é eterno
É verbo que se faz pele
É uma Viterbo além dos muros
Uma supernova além do escuro
Um vinho que harmoniza
Alma que não cicatriza
Vento calmo e terno

Marcelo Moro

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Bipolar







Roubou o vinho
Apagou a chama
Revirou a cama
Deixou sozinho

Trancou por fora a porta
Engoliu a chave
Riscou a pintura da nave
Rasgou no dente a natureza morta

Fez gestos estranhos para a câmera
Fodeu a amizade
Jogou no asfalto a Jade
Passou a língua na lâmina

Platinou os cabelos
Tocou fogo na casa
Saiu de baixo das asas
Para questionar os espelhos

Marcelo Moro

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Oitavo Cotidiano



Ela é uma menina, mulher menina
Que o sol traga, mas não traduz
Curvas, vãos, sorriso vãos,
Mãos, pequenas mãos,
Um olhar de triste a perdido
Que encanta, que levanta o astral
E hoje a luz banhou suas curvas vãs,
E fez luz, versos e chuva
E fez encanto


Marcelo Moro