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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Gelo e Fogo




Soprar uma brisa morna e calma pelos vales da sua orelha
Acender uma centelha de universo quando me devolve um arrepio
Uma espada em brasas nem ao menos terminada é sua mão
Quando forja meu desejo cravando – me as unhas

Observar gotas de suor correndo, curvando, deslizando em seu movimento
E com compaixão persegui-las com uma pedra irregular de gelo
Ora nos dedos, ora presa entre os lábios que sorvem o fogo
E dane-se o juízo, o  tempo, o vento , o proibido

Esse corpo, templo, contemplo contorcido, insano
Enquanto da sua boca ecoa um sussurro, uma reza gemida, um mantra
E a língua entrelaça a outra selvagemente depois acalenta
E a mão espalmada ampara os espasmos do teu gozo

Marcelo Moro

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Vênus










Quando brilha no céu a estrela da manhã,
Vênus, das fases, dos boêmios,
Eu descrevo em quase sonho seu primeiro espreguiçar,
O barulho das portas abrindo a cidade
Transa com o seu ronronar sereno
Sob as preces das manhãs

Marcelo Moro

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Sobre as costas da menina





Uma chave perdida
Que abre portas na noite quente
Uma imagem distorcida que supõe, uma lente
Óleo sobre tela pós-moderno, ardente
Doce menina espelho da lua
Ama e não tá nem aí, na sua
E dá asas a imaginação
E dá corda ao enforcado
E acorda no meio da noite banhada em suor
E desfila no escuro a silhueta e a cor azul da sua aura

Marcelo Moro


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Um poema sem solução



Uma viagem entre harmônicos de guitarra
Ouvi um suspirar no lado escuro da retina,
Numa alameda de acácias
Um passo a mais e lá estava misturada nas sombras

Lavanda sobre a pele,
Os sentidos todos a te sentir
Vestida de ventos e fogo,
Dançando com a brasa de um cigarro

Desenhando no ar as serpentes encantadas dos seus sonhos
Sonhos despojados e guardados no fundo do armário
Para que um dia pudessem brotar
Como um lírio brota sozinho no campo

Marcelo Moro

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Nono Cotidiano





Eu te vejo queimar
Portas trancadas, cidade proibida
Eu te vejo sufocar um desejo a mais
No quase escuro, a língua, a saliva

O que eu vejo ninguém vê
Não como vejo do telhado de vidro
Com o veneno que destilo
Como um destino traçado, escrito

Sobra para ti o sono
E para mim o sonho
E para o mundo o desamparo
De ser privado do que eu vejo

Mãos de sorte que te tocam
E te arrepiam como brisa mansa
Como sempre digo tens brilho
Beleza ímpar que não cansa

És a música bem composta
A fruta madura que os olhos atentam
A ciência oculta digna de nota
O livro que muitos folheiam  sem que vejam

Marcelo Moro



sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Quase Plural






Você tem demais
O calor enxerga
O frio enxerga
O espelho espalha
E os olhos contemplam
O que és ,
O que tens ,
Além do que se vê
É o que sente ,
E o que se sente é eterno
É verbo que se faz pele
É uma Viterbo além dos muros
Uma supernova além do escuro
Um vinho que harmoniza
Alma que não cicatriza
Vento calmo e terno

Marcelo Moro