Soprar uma brisa morna e calma pelos vales da sua orelha
Acender uma centelha de universo quando me devolve um
arrepio
Uma espada em brasas nem ao menos terminada é sua mão
Quando forja meu desejo cravando – me as unhas
Observar gotas de suor correndo, curvando, deslizando em
seu movimento
E com compaixão persegui-las com uma pedra irregular de
gelo
Ora nos dedos, ora presa entre os lábios que sorvem o
fogo
E dane-se o juízo, o
tempo, o vento , o proibido
Esse corpo, templo, contemplo contorcido, insano
Enquanto da sua boca ecoa um sussurro, uma reza gemida,
um mantra
E a língua entrelaça a outra selvagemente depois acalenta
E a mão espalmada ampara os espasmos do teu gozo
Marcelo Moro

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