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quinta-feira, 26 de março de 2015

Lua do dia ( Novilúnio)




Muda a dança
A musica, o humor
A fase, a crise, muda a frase
O  a sem crase, a catarse
Mudam as pernas
As penas, o vento
A chuva, os pesares
Muda o tempo
Quando ela passa
No seu ato de sete atos
Com seu sorriso de sete dias
Muda tudo que varia
Pesam o que valha
Cortam à navalha
O papel, o poema
Os cabelos
O cordão umbilical
Tecem o carnaval
Nessa sua passagem sólida
Secreta,
Escondida entre o azul
E o cotidiano veloz
Ninguém repara no seu belo véu
Apenas blasfemam
Quando à noite
Não está no céu


Marcelo Moro

*foto da Lua Nova sobre o meu Quintal faltando 240 minutos para Hora Morta de 24 de março

terça-feira, 24 de março de 2015

Flor de Baunilha



Fiquei preso por tanto tempo ao hálito de Iracema
Queria beijá-la como Ceci beijou Peri
Ao som de “O Guarani”
Na beira do lago negro
Onde Narciso completou seu inútil ciclo
E virou uma flor polinizadora de deusas

Efêmero sabor do preto néctar
Essência da louvação dos jaguares deuses
Enfiou no nariz da minha juventude
Sonhos e alucinações
Casada com o clorofórmio
Doce- amarga amante rude

Hoje já travestida de moderna
Pés no chão e simples pura pele
Advoga em favor dos loucos
Que acreditam no tom quase bordô dos seus cabelos
E que rimam flor com sentimento
E que apelam como poucos, por seu sabor

Marcelo Moro

* foto do Projeto Paralelo de Mariana Montrazi Claus



segunda-feira, 23 de março de 2015

Espectro






Espectro

Pena não poder dizer tudo
Viver de nada em vazio
Como clandestino nesse navio
Enorme e assombrado que é sua alma
Pena faltar coragem de perder a calma
E rasgar o verbo e conjugar a viagem
Misturar à sua mística, minha realidade
Confundir  seu sono já tão conturbado
E terminar a noite vendo a estrela vespertina
Num desabotoar que desatina
Rubra tinta em sua pele
E de calor em calor
De suor em suor , tropeçando nas sílabas
"*Confundindo a lógica
Me perder nessa sua beleza exótica"

Marcelo Moro

*muito de Caetano e pouco de mim


sábado, 21 de março de 2015

Solstício



Solstício
Solstício é troca
De líquidos
De línguas, de vícios
De sol rasante
Por Lua amarela
É mazela
São corpos que dançam
Envolta do fogo
Envoltos em chamas
É sacrifício
Por um dia melhor que o outro
É desenho impresso no corpo
Para que se lembre o passageiro
Que ele não passa disso
Diante da grandeza do infinito
E de suas regras
O Solstício é troca de cores
É bonito
Tem hora marcada
E não tenho nada com isso
Se sei enxergar a dança
E se danço a serenata

Marcelo Moro


quarta-feira, 18 de março de 2015

Flor de outono



Flor de Outono

Outono batendo à porta
Belo final de tarde frio
O Jardim de Allah vazio
O Outono é o conjunto da obra
Chuva mansa, o tom de cinza
A lã barata da menina que passa
Seu guarda chuva psicodélico
O sofrimento velho
Gradiente entre Deus e o Diabo
Uma bela flor perdida poeta
Em meio desse devaneio
A boca dela, o caos e o tiroteio


Marcelo Moro  

terça-feira, 17 de março de 2015

Amar é ( Desafio de escrever)


Sobre as Sardas





São defeitos?
Antes são mapas
Acertos de rotas
Ilhas dispostas num mar calmo
Charmes
Toques de arte do sol

Imperfeições?
Antes são estrelas, mapas astrais
Constelações
Filhas ultra – violetas
De um Deus faminto
Princesas de um universo extinto

Mau gosto?
Antes são contrapontos
Doses antimonotonia, equação
Que te fazem mais interessante
Mesmo que os tolos e os caretas
digam que não

Marcelo Moro