Fiquei preso por tanto tempo ao hálito de Iracema
Queria beijá-la como Ceci beijou Peri
Ao som de “O Guarani”
Na beira do lago negro
Onde Narciso completou seu inútil ciclo
E virou uma flor polinizadora de deusas
Efêmero sabor do preto néctar
Essência da louvação dos jaguares deuses
Enfiou no nariz da minha juventude
Sonhos e alucinações
Casada com o clorofórmio
Doce- amarga amante rude
Hoje já travestida de moderna
Pés no chão e simples pura pele
Advoga em favor dos loucos
Que acreditam no tom quase bordô dos seus cabelos
E que rimam flor com sentimento
E que apelam como poucos, por seu sabor
Marcelo Moro
* foto do Projeto Paralelo de Mariana Montrazi Claus

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