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terça-feira, 26 de março de 2013

Afrodite no quintal




Dança no meu quintal
Jovem amante da chuva
Dança livre, leve
Que te olho da janela
As vezes mudo, sereno
Outras vezes caos e ira
Mas dance sempre bela
De branco e com flores nos cabelos
Dança para meu prazer, minha sina
Que sempre ouço tua voz, leio tuas linhas
E desejo bagunçar sua essência
E desaparecer quando me chama
E ignorar sua insistência
E ao te chamar de minha querer que não seja
E depois como um doido varrido chorar sua ausência
Dança para quem tem a chave do seu mundo
Dada por livre e espontânea vontade
E que na verdade não sabe qual porta abre
Nesse corredor e estranho e profundo
Que é seu olhar quando cala
Dança sem dor, sem remorso, apenas dance
Gaste os saltos dos sapatos até quebrarem
Até os últimos sons cessarem
E proclame o outono com um grito
Que faça cair todas as folhas
E que encha meus olhos de vidro


Marcelo Moro

sexta-feira, 22 de março de 2013

Sobre nossos ácidos




Eu sou romântico
você é prática
Eu deixo tudo plano
E você tem curvas demais e frases ácidas
E nós fazemos planos
E amamos os planos que fazemos
Somos um livro interminável
Indefinível , inexplicável
Sem prefácio e fim

Marcelo Moro

terça-feira, 19 de março de 2013

Poema sem Nome




Seu nome é tesão
Vento que atravessa a noite
Em brasa, raio e trovão
Eu vi seu nome escorrer pelos dedos

Poderia ter te feito rir à beça
Não fosse a pressa e a fome de te tocar a pele
Poderia ter te feito a mais feliz das mulheres
Não fosse essas coisas inexplicáveis da vida

Sei que te fiz o samba perfeito
O rock, minha criação mais ousada
Devassa minha imaginação a cor dos teus cabelos
Caídos molhados sobre teu dorso nu

Poderia ter te feito gozar em transe absurdo
Não fosse talvez o vacilo abusado de tirar as mascaras
Faltou pouco e o pouco que faltou foi o muito que feriu
Talvez ristes, arrepiastes, gozastes, gostastes e nem viu

Marcelo Moro

sexta-feira, 15 de março de 2013

Cinza Úmido


Quando abro a janela
De frente para os Jardins de Allah
Sinto a brisa soprar hálito de maçã
E a música do universo viajar
Pelo balanço sutil da menina
Que passa pela imaginação, toda manhã

Ela tem os olhos do passado
E os passos para o futuro
Um corpo, um relicário
Faz dos meus pensamentos, sujos
Conserva seu medo e seu sopro
Guarda Jardins dentro do armário

Traz ouro nos pulsos e marfim nos dentes
Tem fogo na alma,
Fogo calmo e vivo
Que gosto de soprar para ver brasa
E o tempo, e o vento, detalhes pela janela
São belos como os seus jardins mesmo quando chove


Marcelo Moro

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulher


A delicadeza, o carinho, a fé infinita, a pele macia, o hálito de maçã, a dúvida, a dor, a cólica, as regras, o parto, a vida.
O desenho do corpo as formas dos seios, a cabeça, guerreira, guerrilheira, mãe solteira, profissional, camponesa que o sol torra, patricinha que o sol bronzeia, filósofa, psicóloga, mãe.
Adoro quando a mulher diz : - Frágil é o caralho- Mas gosto quando faz as unhas, o cabelo, cuida da pele, a mulher é um enigma profundo e sem solução, é uma dádiva e uma dívida, a costela mais que perfeita, enlouquece, pira, subverte, submete-se, faz feliz, bota na fossa, doidas, santas, independentes, à rigor ser humano.
Marias e Madalenas, cantigas e cantilenas, poesia mais bela, flor que balança ao vento, viga, alicerce, vão...

Parabéns seres raros, todo meu respeito e admiração

Marcelo Moro

quarta-feira, 6 de março de 2013

Diário de Galileu



As passagens da alma, secretas e pagãs
Anotadas à luz de velas, a mente se conserva sã
Mesmo que negar a verdade seja a saída
Não a melhor, apenas a saída
Lágrimas nos olhos que viram incrédulos anéis em Saturno
Lágrimas nas lentes dos seus olhos noturnos
Sal sobre o céu, fogo cristão

Pesada foi mão que se lançou sobre seu diário
Suas verdades no armário, experiências e decisões
E o velho sábio viu roubada sua ingenuidade
Extraviados os seus conceitos, condenadas suas visões
E às voltas com o fogo que purifica, mentir, se enganar
Ceder as mãos pra que sejam trucidadas.
E de tarde sentado sobre os vitrais sentir ventar

Marcelo Moro

segunda-feira, 4 de março de 2013

Despretensiosa




Os pés descalços pela estrada mansa
A cor do céu no seu vestido
Se estivesse onde a minha mão alcança
Colocaria uma flor amarela em seu cabelo,
Para quebrar a monotonia, mudar seu ritmo
Traduzir seu pensamento em frases num muro

Contar meu tempo em seu colar de conchas
E a tarde passaria calma
Deixar exalar sua essencia, perfumando minha alma
Girar o corpo, assim como gira a vela num sopro, navegar
Espiar por entre as frestas dos seus olhos
E te ver vestindo o mar

Marcelo Moro