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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Noites de Junho




Cai a noite, cai o frio e a névoa de junho
Sobem vassouras levando as donas da noite
Rasgam os céus em fogo e véus
Te olham e te lançam um feitiço
E o enguiço é fugir desse olhar, é se esconder
Numa noite como essa não vale a pena correr
O melhor é se entregar e ver estrelas
E ver no preto parado dos olhos
Lagos, casos, anos e anos de janelas abertas
Olhos que não se fecham, que devoram
Que fitam e que apavoram quem desconhece
A verdade é que existem
Que se escondem quando não se interessam
Mas que aparecem para um voô numa noite de junho 



Marcelo Moro

terça-feira, 11 de junho de 2013

Haikai 15



Noite de chuva
Noite bela, escura
Paz sem estrelas


Marcelo Moro

1988 A-1







*Mais um fragmento que está muito bem guardado com alguém vem a público esse de fevereiro de 1988.





No escuro do meu quarto
Imagino te apertando em meus braços
Minhas mãos deslizando em cada curva
Nesse corpo de menina
Minha boca buscando a sua,
Na imensa paixão que arde em mim.

Marcelo Moro 







sexta-feira, 7 de junho de 2013

1987 A-1







Escrevi muita coisa entre 1985 e 1991 que estão perdidas por aí com várias pessoas, não tinha a pretenção de compor nada nem de organizar nada, foram anos anárquicos pra mim, mas comecei a recuperar algumas coisas e não vou intitular o que não tinha título, apenas farei um catálogo.
Esse é de 1987 e estava escrito numa fita crepe muito bem guardada por alguém do período.

1987 A-1 


Menina linda serena
Olhos perdidos ao longe
Eu tento buscar
Pra perto de mim
Em meu ombro  
Em minha boca

Marcelo Moro 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Divagações


Não é apenas uma volta ao passado
Quando se entra na mesma rua 
A mente se abre e os sonhos se soltam
Poesia e silencio, verdades nuas

Uma nova visão focaliza
O que antes se vivia sem se ver 
São os olhos do tempo  sobre os fatos 
A nossa versão dos atos 

E de auto da fé em auto da fé
Não se consegue mais enxergar a culpa 
se quem queima buscando enfrentar 
O que mesmo errado nunca muda

Marcelo Moro

sábado, 1 de junho de 2013

Segundo Cotidiano



O vento passeia entre as pernas da menina
O céu seco e azul de outono ensina
E alquimista que é, doura as folhas do jardim
E pobre de mim que enfeito de flores os tons pastéis

Dia após dia o vento espalha aquele perfume
Adocicado quase infantil
E carrega de sutil voo nosso caminhar lento
E o pensamento é vão, é cor, é mão a detalhar seu vestido

E os dias trocam de cor simetricamente
Como sua tez morena empalidece
E como um rito troca de sapatos
Enquanto o vento sopra as deusas e umidece

Marcelo Moro

terça-feira, 28 de maio de 2013

Cotidiano





Não tem um dia,
Que a harmonia desse sorriso
Com o sol lá fora
Não vem me corromper

Não tem um dia
Que por mais triste
Choroso de chuva, cinza
Sua alegria não me contagie

Não tem um dia
Que eu passe sem imaginar
O que seria do dia
Sem essa paz, esse perfume

Não tem um dia
Que não trema o Jardim de Allah
Aos seus passos
Que não brilhe ao seu lume

Não tem um dia
Em que eu não pense
Em ter você nas mãos
E que chova nesse dia

Não tem um dia
Que não sonhe
Uma noite que não veja
Sua estrela no meu céu

Marcelo Moro