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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pressa



Eu fiz essa canção como quem busca a terra prometida
Com sede, fome, perdas e danos
Como quem se livra do ouro e dos panos
E espera apenas a chuva cair mansamente essa noite

Fiz para o brilho dos seus olhos cor de temporal
Sem querer saber se isso importa
Se abre ou fecha suas portas
Fiz hoje e agora antes que viremos estátuas de sal

Fiz e colori os versos com giz
Escrevi antes que alguém escreva
Antes que alguém se encante, se atreva
Antes que alguma língua traduza o gosto do seu queixo

Borrei o papel para que saiba
Que é verdadeiro o que recito
Que repito como um mantra as linhas do seu rosto
Que me encanta, me encontro, me afaga

Fiz e pronto, com pressa que me afoba
Pergunta que não tem resposta
E você sóbria enquanto eu voo
Parece controlar o tempo enquanto ele foge

Marcelo Moro 

2 comentários:

  1. Gostei dessa pressa, as palavras de amor não podem esperar. Um abraço, Yayá.

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  2. Bela poesia, que sopra o vento em muitas asas apaixonadas e prepara um pouso suave para quem se atreve nela, parabéns poeta!

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