Seu olhar é uma armadilha
E o azul seco desse céu e o dourado das folhas
Nas vésperas da primavera sangram
E singram um mar numa vasilha
Com um barco de papel em chamas
Sem rumo, sem amarras nem tramas
O azul e a armadilha são seus olhos
Quando evaporam juntos com as gotas frágeis
Que deslizaram mornas pelas curvas da sua pele
Que misturam sal e açúcar
Lágrimas temporariamente viáveis
E não há salvação que se rogue, reza que se reze
O acaso acontece nos seus olhos
O azul seca neles também
E as folhas douram, e a primavera sangra
E aprisiona o mar entre chamas
E navegam em barcos de papel
E eu gosto de ditar suas tramas
Marcelo Moro

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