Urbana Tempestade
É o que se vê profundamente de
passagem
Inunda a retina de cor, de
forma
Sussurra a voz rouca da
paisagem
Na garoa fina que não desbota
a tinta
Mas escorre corações aos
baldes
É o que nasce das mãos esquálidas
Da suburbana arte
É uma parte
Louca e sólida da cidade que
flutua suspensa
Sobre os vales cemitérios
ancestrais
São fantasmas que subvertem a
ordem
Humanizam o progresso
São processos transitados em
julgado
É o coletivo de imaginação,
Intenção e gesto, em cor e
ação
Palavras desconexas que se
juntam no trânsito pesado
E rimam futuro com passado
E que juntas sopram sensações
Nunca antes lidas,
Esquecidas pela pressa do
cotidiano
Que um dia passa,
Numa tarde pousada nos Jardins
de Allah!
Marcelo Moro

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