Início

sábado, 11 de abril de 2015

Sobre Catrina





Sinto pena daquela que violentou suas cerejeiras
Perdeu o prazer do seu riso largo
Perdeu o momento dessa conjunção de estrelas
Que te deram assim toda, entregue
Penso no momento amargo
Do não para quem era sim, no máximo talvez
Passou a vez
No momento mais intenso do jogo
E as almas se sabiam e os corpos se entendiam
E sobra o copo vazio, cheio de desejo amanhecido
Mas por mais que tenha seu riso padecido
Não sumiu do rosto
Tatuado sem lábios na pele do tempo
E o vento rebelou os maremotos que traz nos cabelos
E a máscara que te serviu de mortalha
Serve agora de navalha
E corta de viés perfeito os laços, traços
E o dedo, que no talo te fez delirar em febre
E a língua que profanou seu silêncio
E que caia tudo sobre a terra desse cemitério
Que é tua ausência
E que a essa essência ressuscite
Em dança, em tranças, em doce e em festa


Marcelo Moro

Nenhum comentário:

Postar um comentário