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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Venha



Diga-me que vem e eu vou sorrir
Um sorriso da alma, profundo,
Belo como a calma de uma flor
Que exibe sua cor ao sol da manhã

Diga-me quando vem que eu desamarro o céu
E faço soprar uma brisa calma
Dessas que levam nossos barcos pela maré
Sem pressa, sem horas, ao leo

Diga-me a hora que chega
que eu paro tudo e coloco o lixo na rua
e passo a viver na espera sua
enfeitando a casa de flores

E abro todas as janelas, fazendo luz
E corto os pães e descanso o vinho
Como já fiz em tantas sextas- feiras
Que sabia que virias

Arranca a roupa do armário, reune numa mala
E se joga, não pelo que é certo
Mas pelo que é lógico que o coração mande
Sinta de perto a garoa e o frio, a pele

Diga-me que vem e começa a espera
Duas pedras boiando no conhaque, o aroma do café
o Rock antigo pelo ar e a fé
Saindo pelas mãos velhas bruxarias

Marcelo Moro


domingo, 27 de maio de 2012

Burocrática Viagem pelo Tempo



Como era sincera aquela brisa
Como era bonita aquela Luz de beco,invadindo a janela
Aromas e sons que o tempo não pode levar
Amor de estação, estação após estação

E o inverno congelou nosso sorriso
Conservou nosso som, preservou o bom na nossa alma
Desprezou e traiu os fracos e prepotentes
E fez nascer uma flor amarela entre as rochas, chamada calma

E a primavera despertou nossos instintos mais bonitos
Revelou todas as fotos, nos fez carentes
Devolveu realidade e fez ciranda com nossos sonhos
E encheu o chão fecundo de flores, chamadas esperança

E o Verão incendiou nossos corpos
Destinou nossos suores de um para o outro
Nos fez dependentes quimicos das nossas nuances
Fez nascer nas fendas um fruto chamado Liberdade

E chegou o outono, as tardes douradas
E passou nosso café bem forte,tocou nosso rock do bom
E nos remeteu a verdade de que não se volta no tempo
E fez nascer da vontade uma flor chamada lembrança, Saudade

terça-feira, 22 de maio de 2012

Menina Lua



Oh Lua! dos navegantes, dos amantes, dos poetas
Dona do céu vagabundo de qualquer dia
Deusa prata, da caça, dos instintos, das brechas,
Iluminas a pesca, as frestas, os amassos calientes dos meninos terraqueos

Oh! Lua que já poetizaram, fotografaram, pintaram, foderam com a estaca de uma bandeira terrivelmente feia, hoje brilhas pra mim no meu quintal, deixando do outro lado o seu lado escuro, a face de outra moeda

Oh! Lua, que já denominaram nova, crescente, cheia, minguante, Iemanjá, Bárbara, cálida, estonteante, Foste aplaudida, uivada, apalpada, revirada, removida, chamada de fria, coadjuvante dos eclipses.

Hoje apareces bela na minha janela, só não estás mais bela do que a menina do lado, que o vento deliciosamente despenteou os cabelos, e tua luz valorizou o verde moreno dos olhos, e a perfeita simetria dos lábios...

não suma numa crise de ciúme pois o poeta é das duas, é de todas, valoriza o jardim suspenso da menina com seu lume, e ela te fará brilhar mais com seus olhos e sua beleza perdida..

Marcelo Moro

terça-feira, 15 de maio de 2012

Flor prata à luz da Lua



abra tua janela pra sentir
o gosto da noite, o aroma do céu
abra os sentidos pra ouvir
a prece cósmica que tira seus véus
e te coloca branca pele
a ser lambida pelo prata da lua
a sensação do quente e úmido, leve
arrepia e sussurra sua alma nua
e navega pelos entãos
e cavalga pelos nãos
e aproveita o aperto das mãos
contra os cantos, as curvas, contra os vãos

Marcelo Moro

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Janela




Deixa entrar pela sua janela, feito o vento que te balança os cabelos
O meu desejo, a minha fome, a minha vontade de você
Deixa entrar meu poema, minha quimera
Despertar em ti todas as flores, como a primavera
Tocar, lamber , conduzir, observar seu arrepio, seu sussurro,
Abrir cada botão, valorizar cada gota, cada gemido, acelerar o coração
Não dizer não, não se fechar diante da espera
Arrancar o fôlego, o juízo, o gozo
Rasgar todas reservas e por fogo 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Cabelos e Botas


É uma dessas sensações sem rosto.
Apenas botas e cabelos, sem status, sem noção alguma do perigo, sentir e sussurrar entre esse sentido e um toque que se faz.
Um arrepio, imaginar duras e tesas as extremidades dos seios, a força dos musculos, a movimentação dos tendões, o movimento sutil dos lábios quando gemem, a lingua que ora devora voraz e que ora desliza delicada.
É sem pensar em nada, apenas no prazer absurdo e solitário mesmo sem saber mas com certeza de que se sente do outro lado da realidade.
Imaginar aqueles dedos fortes a impulsionar o desejo, antes por fora e sutimente depois por dentro a sentir a umidade e as contrações todas, um fenda em tremores, quase um abalo sismico.
quero ter te também imagem de costas , contra mão da visão, agradavel a retina e a mente, ouvir , sentir, saborear, sem esquecer do suor, do calor, e enfim do mel a jorrar...é só botas e cabelos e nada mais.

Marcelo Moro


domingo, 1 de abril de 2012

Etecétera e tal ...



Dos teus olhos jorram luz
Mesmo se em teu rosto paire o ar de tempestade
Eu nunca te vi pela cidade, mas tatuou-me o coração
Um escorpião escondido num vão, um aval

Queria ser o teu menino, com alma e corpo de menino
Te dar a mão e sair entre os bosques lotados de cor
Ser a dor sincera, a saudade , a razão, as vezes o sim
Ser o não que te impede de ir embora,e ser a calma,a hora.

Te dar prazer e sentir do teu prazer a minha vida
Ser a viga que sustenta o seu futuro, o fruto maduro no teu jovem quintal
Te ensinar que o coração tem muitas moradas, etecetera e tal
Ser o Nexo, o Sexo, o tudo e o nada, ser apenas imortal

Marcelo Moro