Gostava de saber que ele estava
ali, a virgem pálida, rondando-lhe a casa. Quem sabe um dia poderia vê-lo ou
com mais sorte toca-lo. Seria perigoso? Pouco importava, eram os ruídos sujos e
inenarráveis que ela ouvia quando no meio das noites via pelas frestas da
janela a empregada fugir para o celeiro, que a conduzia com firmeza ao intento
de ver e tocar aquela criatura feita de sombras. Naquela noite em particular a
empregada não saíra, mas a mocinha sabia que na noite, lá fora, aquele ser
espreitava entre as parreiras, quem sabe no celeiro. Duas noites antes
acontecera o mesmo e ela começou a ouvir dentro da sua cabeça as respostas aos
seus mais íntimos questionamentos. Era como se nada, nem paredes, nem portas
detivessem a voz que lhe chegava aos ouvidos seca, firme e ao mesmo tempo
suave, encantadora. A virgem que não era de todo tola imaginava ser aquilo
telepatia, e também imaginava que algo sedutor se avizinhava, algo de que
deveria fugir, mas longe disse e também por não ser tola aquilo tudo atraíra
cada vez mais sua atenção e algo mais dentro dela. Naquela noite em certos
momentos teve que conter-se para não abrir a janela pois percebera que aquele
que se movia lá fora estava a poucos metros dali na escura sombra da
castanheira e olhava atentamente para dentro do seu quarto, como se não
houvesse entre eles janela, parede ou cortinas. Ela se sentia devorada com
olhos e isso a fazia queimar, suava entre os seios e no rosto nossa donzela.Ela
não entendia como e nem porque aquele ser com tantos poderes especiais não
entrava em seu quarto e a tomava em seus braços possuindo-a de vez ao som
daqueles poemas seicentistas que ouvia todas as noites em seus sonhos antes do
dia amanhecer, eram tão nítidos que poderia escreve-los.
Então essa resposta foi a única que não obteve naquela noite e quando a aurora tomou o céu ela sentindo-se sozinha procurou a resposta entre os livros da pequena biblioteca que equipava a casa.. E lá entre uns contos ela achou uma anotação no canto amarelado de uma das paginas, demorou a decifrar as letras em estilo gótico e desbotadas pelos anos, mas leu claramente. “Um vampiro não entra em sua casa sem que seja cortesmente convidado”
Marcelo Moro
Então essa resposta foi a única que não obteve naquela noite e quando a aurora tomou o céu ela sentindo-se sozinha procurou a resposta entre os livros da pequena biblioteca que equipava a casa.. E lá entre uns contos ela achou uma anotação no canto amarelado de uma das paginas, demorou a decifrar as letras em estilo gótico e desbotadas pelos anos, mas leu claramente. “Um vampiro não entra em sua casa sem que seja cortesmente convidado”
Marcelo Moro






