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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Poesia Estrábica



Nos seus olhos, os sonhos parecem parar
Nos seus olhos as luzes morrem
Duas estrelas, desalinhadas
Deselegância divina, brilho ímpar
Equação de números primos
Tramas transversas do linho

As cores pouco importam
Diante do intenso desastre
Lente? Que mente e não sente
Dúvida reticente quando engana o retrato
Sagaz, de fino trato
Quando o doce esgana o amargo

Construção obliqua
Pretérito mais que perfeito
Desalinho, defeito
Malmequer na febril margarida
Sorriso de menina bonita

Com um olho no córner e o outro me fita

Marcelo Moro 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Equilibrista







Noite cinza
Úmido sorriso
Pensamento preso pelo vidro
Janela sem cortina
Tingindo de dourado os pingos
Incandescência da lâmpada, da menina

Ousadia sem estrelas
O Chumbo brilhante do tecido
Hábil equilibrista sem alças
Asas da imaginação, mãos
Esculpindo os humores
Revelando rijos sabores

É apenas chuva, mansa
Que cai, ali atrás dos sentidos
Que molha sutil os cabelos
Que desce, escorre, contorna os botões
De plástico vulgar, frígidos
De rosas de fogo, chamas, sensações

Marcelo Moro


terça-feira, 15 de abril de 2014

Concretismo Absurdo







mau amor ,
bom amor,
amor perfeito,
amor com defeito,
meu delírio, mau delírio,
colírio,
minha inocência,
 minha indecência,
meu suicídio,
minha coragem,
meu medo,
minha tremedeira,
meu orgasmo,
meu pleonasmo,
minha trepadeira,
meu banditismo,
minha falta de juízo,
minha geral,
faca,
pau,
pedra,
cornos,
alhos,
olhos,
meu ato falho,
Deusa,
Mãe d'água,
minha cara,
Joia Rara,
porra nenhuma,
embuste,
amante,
em suma , tudo


Marcelo Moro

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Quinta dos bons ventos




Feira, festa, feriado
Bons tons, bons tempos
Paladar ao vinho desmistificado
Quinta de preguiça, dos bons ventos

Quinta dos maus intentos
Das péssimas intenções
Da contemplação etílica, goles e momentos
Quinta dos bons ventos e melhores sensações

Do papo, do beijo, dos olhos
Dos instintos perdidos nos cinzeiros
Das viagens decoladas de telhado insólitos
Das penas ancoradas em tinteiros

Quinta moça de passagem
 Para Eldorado, Marrakesh, Shangrilá
Quinta palavra, desastrada aterrizagem
Quinta dos ventos esparramando Maná

Quinta da boa véspera
De lua boa, de estrelas de fogo
Quinta de intensa festa

Dos ventos, do velho e do novo

Marcelo Moro 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Compasso de espera






Seu olhar tem compasso
Como se não visse nada
Tudo vê e tudo crê
Tudo advinha  seus belos olhos
Amêndoas rasas de sabor profundo
Bebida inebriante
Estrela brilhante de um universo antigo
Em chamas, perdido
Entre a dança e a falta de sono
Chamando de abandono o desejo
Cereja à deriva na Vodca
A mesma que o poeta rolou pelos seus vãos
Vodca a baixo, só imaginação
Aparada na língua malabarista
Bêbados e equilibristas
Tudo na linha de uma bela canção

Marcelo Moro 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Captura





É chama 
Causa e efeito da noite que adormece
É prece quando no silêncio se cala 
É droga que encanta quando alopra 
É arma quando fere e inflama 
É dança quando a música do universo sopra 

A cor exata tem seus olhos
Que sempre miram linhas distantes
E passam de viés pelas flores 
E se livram dos versos de antes
Que, as vezes, não contemplam cores 
São pedras que se escondem no tempo 

Tem o dom de se achar por baixo 
Mesmo quando coloca tudo para cima
É som no máximo tirado da posição mínima
Encaixe onde me encaixo 
Palavra que alucina 
Luz que precipita

Anjo torto, caído
Que brilha na Insônia escura e úmida
É sexo que lateja e murmura 
É sensação presente sem nunca ter sido
É vento, livre, lamento 
É o melhor de se viver sem nunca ter vivido


Marcelo Moro

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Bobagens sobre o Vento



Vento, lento, quente
Balança a cortina, vermelha
Põe em chama a brasa
Esvoaça o cabelo da menina

Sopra a areia
Corta, risca o vidro
Arrepia a orelha
Lateja, assovia fino

Cantaram, raptaram, poluíram
Tingiram, mancharam o vento
Tatuaram nas costas
A flor do vento, mordida, pensamento

Industrializaram, comercializaram
Mas não roubam do mar as carícias do vento
Embalaram à vácuo
Mas é o vento e somente o vento que traz o aroma à tona


Marcelo Moro