Início

terça-feira, 7 de abril de 2015

Trilogia Episódio dois - A Necessidade



De não pensar no tempo
Ele me levou todos os relógios
E o que era toda lógica
Manifesta-se em toda mágica
E até as lágrimas que eventualmente acontecem
Me parecem doce, droga alucinógena
E esse vício tem nome e sobrenome
E não tem pra mim claro endereço
Mas tem apelo, apreço
Cadência, dança e ritmo
Riso inconfundível
Futuro viável para quem nada espera de seu
A não ser a estrada mais florida
E nela encontrar as vezes
Essa necessidade vestida de estrelas

Marcelo Moro

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Trilogia parte um - O pecado





O fruto do Jardim noturno
Suspenso, vermelho-dourado
Tem um tom adocicado
E a pele macia sem o áspero
E de tanto luzir nos olhos da serpente
Tornou –se dela pupila
Parte integrante do desejo
Aceso como brasa de cigarro ao vento
Vivo no pensamento
Em paz no coração


E desliza entre minhas pernas
As suas, quase sem sutilezas
Sem frescuras
Apenas calor intenção e gesto
Sem medo de pecar errando
Apenas pecando pelo correto
Pois já disse algum poeta
Que tudo vale a pena
Quando é de verdade
Quando não é cena quando se peca

E fica um lance meio esquecido
O tal de quando a alma não é pequena
E sua alma meu fruto proibido
É Gigantesca
E espia detrás dos espelhos
O deslizar sincronizado dos dedos
E quando o coração acelera
As Línguas exaltam o sabor do Éden
O Jardim sem cercas ou fronteiras
A Arvore frondosa dos frutos dos que se querem

Marcelo Moro

*Lua sobre véus , cheia e dançando sua dança no quintal de casa faltando 42 minutos para a Hora Morta

terça-feira, 31 de março de 2015

Teatro de Ousadias - Oitavo Ato



Nesse lugar onde o vento não voa
E fica preso nas cortinas espessas
Onde a luz é apenas reflexo dos olhos à toa
Através da fumaça densa

Então é ali que os perfumes se encontram
Se tornam alfabetos de cegos
E se procuram sem formato de rostos
E se deliciam quando as línguas se pegam

Sabem serem proibidos, pelo tato
Pela juventude doce e o amargo do tempo
Mas libertam os ventos quebrando as janelas
E suas mãos se entrelaçam numa estrela, a mais bela

São doze sentidos numa noite tão simples
São sussurros aflitos viajando lentos
Antes são momentos concretos do surrealismo
Vacância sutil entre intenção e gesto

A ausência da luz faz as formas na mão
A leitura completa do seu eu escondido
Aquele grito, aquele suor escorrido
Aquele arrepio do certo ao avesso

Marcelo Moro

Câmera Obscura



Câmera obscura
Imagens nuas
Tenho saudade do tempo em que tudo era perfeito
Que as coisas que fazia faziam efeito
E essa solidão vivida a dois não existia
Simplesmente por eu ser eu
E você o que queria
Marcelo Moro

3 minutos para a Hora Morta em Istambul, Câmera Obscura - do Livro - O Teatro de Ousadias -
captado do espaço sideral de uma voz cigana de bruxa alienígena





segunda-feira, 30 de março de 2015

O Teatro de Ousadias



https://scenariumplural.wordpress.com/2015/03/10/exemplos-de-poesias-marcelo-moro/

Dia 26 de março foi lançado o meu livro O Teatro de Ousadias pela série E.X.E.M.P.L.O.S de poesia da editora Scenarium Plural, uma edição artesanal, costurada a mão, exclusiva e qual foi comercializada em pré - venda mas que ainda restam alguns exemplares, vale muito a pena essa edição e para adquirir é só clicar no link acima e enviar o e-mail, Você recebe em qualquer ponto do mundo ...

sejam todos bem vindos ao Teatro de Ousadias


quinta-feira, 26 de março de 2015

Lua do dia ( Novilúnio)




Muda a dança
A musica, o humor
A fase, a crise, muda a frase
O  a sem crase, a catarse
Mudam as pernas
As penas, o vento
A chuva, os pesares
Muda o tempo
Quando ela passa
No seu ato de sete atos
Com seu sorriso de sete dias
Muda tudo que varia
Pesam o que valha
Cortam à navalha
O papel, o poema
Os cabelos
O cordão umbilical
Tecem o carnaval
Nessa sua passagem sólida
Secreta,
Escondida entre o azul
E o cotidiano veloz
Ninguém repara no seu belo véu
Apenas blasfemam
Quando à noite
Não está no céu


Marcelo Moro

*foto da Lua Nova sobre o meu Quintal faltando 240 minutos para Hora Morta de 24 de março

terça-feira, 24 de março de 2015

Flor de Baunilha



Fiquei preso por tanto tempo ao hálito de Iracema
Queria beijá-la como Ceci beijou Peri
Ao som de “O Guarani”
Na beira do lago negro
Onde Narciso completou seu inútil ciclo
E virou uma flor polinizadora de deusas

Efêmero sabor do preto néctar
Essência da louvação dos jaguares deuses
Enfiou no nariz da minha juventude
Sonhos e alucinações
Casada com o clorofórmio
Doce- amarga amante rude

Hoje já travestida de moderna
Pés no chão e simples pura pele
Advoga em favor dos loucos
Que acreditam no tom quase bordô dos seus cabelos
E que rimam flor com sentimento
E que apelam como poucos, por seu sabor

Marcelo Moro

* foto do Projeto Paralelo de Mariana Montrazi Claus