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terça-feira, 10 de junho de 2014

Papo de Aranha



Palavras ao vento
Perda de tempo
Dá sono seu tédio
Ou se dorme de analgésico
Palavras frias
Nem põe nem tira
Compartilha a dor
Esconde o orgasmo
Estraçalha o espartilho
Trava o dedo no gatilho
E nasce de novo
Renascendo das cinzas
Lágrimas que não curam
Dedo na ferida
Venenos que apuram
Em fogo brando
Banzo de branco
Flores artificiais
Em tecidos chineses
Surto, Gênese
Beijo, êxtase
Presa, fome e incandescência
Saída pela teia de emergência 

Marcelo Moro 


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