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segunda-feira, 16 de março de 2015

Sobre o olho do Furacão




Onde tudo gira infinitivamente rápido
Calmo, em cores, levando os vitrais
Caleidoscópio vivo, ávido
Devorando as almas e o dourado das auras
Infinitivamente impessoais
Seus traços, seus braços, sua insensatez aguda
E esses cachos disfarçados de mar e cabelos
Existem vozes que chamam do lado de lá do vento
Que falam alto, sussurram no pensamento
Mas tudo gira, e beija e fuma e ri
E em tudo cria sentimento
Obra prima da natureza
Que na leveza levou mais de mim que o esperado
Os versos, a calma, o grito sem amparo
Mas que guarda no olhar algo a dizer
E que diga antes que seja tarde
Antes que ao cair do dia se desfaça o vento
Cesse o sol que arde


Marcelo Moro 

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