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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

As Rosas do Quintal




Eram belas as rosas do quintal
Um enigma em cada pétala ao vento
Respondiam perguntas aquelas cores,
Eram pérolas
Amores rogados ao tempo,
Visões, etecetera e tal

Eram bem cuidadas as Rosas do Quintal
Por mãos fortes e belas
Que nos deixaram num Agosto qualquer,sem explicações
E o barqueiro esqueceu as rosas no quintal
Alimentando a saudade
Expostas ao céu, ao chão , às exceções

Salvaram-se as rosas do quintal
Adornaram vasos por uma semana ou mais
Em seu lugar paredes de mau  gosto, se quer acabadas
Secaram sem que alguma bela menina as colocasse entre as folhas de um caderno
Rogo sempre por Setembro logo,como se mudasse o astral
Que se estivessem vivas as mãos e as Rosas do quintal

Marcelo Moro

domingo, 2 de setembro de 2012

Visita-se o Caos



Sente-se o Caos,
Viaja-se pelo Caos,
Respira-se o Caos,
Teme-se o Caos
Desmente-se o Caos,
Reconstrói-se o Caos,

Nada além de um Domingo 23:37

Marcelo Moro

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Um pequeno conto sobre a inveja dos Deuses



Cena 1

Como entender uma avalanche de sentidos e sentimentos descendo de alturas impossiveis e caindo justamente na sua cabeça ? Não , Não se entende, apenas se vive, sente, deixa viver.
E foi nesse estágio e com o seu caos um pouco mais doce que ela entrou no Metrô naquela manhã fria, quase meio do dia, as vezes tudo assustava, crescia, metia em perigo, um auto perigo, medo anacronico. Era nessa cena de Hitchcock que ela começava a vivenciar a paixão através da falta. Aquelas mãos, palavras e fotos, as letras perdidas na escuridão, o sentimento, a sensação.
De tanto negar caia em contradição, não estava sozinha nessa visão, haviam outros olhos vivendo a mesma imaginação, em sintonia, em desapego de total prisão. O estar-se preso por vontade.
Os tachos tinham ardido tocados pelos braços de chamas da fogueira a noite toda e arderiam ainda mais, contemplando corpos nús dançando com punhais,os pés no chão. Sortilégio.

Cena 2

Ele pegou o café e o jornal e sentou-se para assistir sua melhor ressurreição.
Tudo era leve, se propunha a viver dia após dia sem uma rota, sem tortura e sem sofrer.
As mãos dão o corte num baralho e os dedos puxam um valete de paus,  o andarilho, cigano, dizia que não era o momento de parar, uma passo a frente, uma nova e mágica revelação, dentro da noite tinha visto a dança imortal dessa bela e eterea mulher, a menina do metrô. Todos os deuses invejam os mortais pela capacidade de sentir e ser sentido e saber que um dia virarão pó, medo e excitação, por isso guiam nossos destinos tendendo a nos afastar dos nossos orgamos mais imortais, da nossa entrega perfeita. Fechou o jornal, meteu o arcano no bolso e saiu apressado, precisava dizer algo, sussurrar , gritar.

Cena 3

Ela ganhou o ultimo degrau e rua, sumindo ao dobrar a esquina.
Ele ganhou o ultimo degrau e percebeu que os deuses riam do sutil desencontro.





quarta-feira, 11 de julho de 2012

Diversões




A menina, o girassol, o ensaio de mulher.
A poesia, a duvida, o bem me quer.
A estrela de muitas noites, a insônia.
A amizade serena que ardeu de paixão

O calor, o banho frio.
O rock do bom, o assovio.
A moleca, a responsa, a lagrima suspensa.
Por um fio invisível que jaz atrás do quintal

A garotinha, a ninfeta, o desejo.
A admiração, a força, o caos.
Confusão, alguém que gosto demais.
A voz rouca de muitas noites, o cais.

Marcelo Moro

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pincelando



Seus olhos são duas amendôas, da cor exata
Não se recria em pincéis, arte abstrata
São antes duas luas sem órbitas de um planeta perdido
Namorada do caos, olhares sem sentido

O bicho arrasador quando alça vôo
Um tom sobre tom elementar, fogo
Não há inocência no seu andar, apenas cabelos ao vento
Não há nada entre sua pele e a saliva, o mel, o pensamento

Não se aponte o dedo, se reserve, não perca esse ar sagaz
Não se recluse, nem se acuse por tantos olhares com tom voraz.
Apenas aceite o feitiço, o enguiço, a beleza que é você
A beleza que é , sem precisar ser.

Marcelo Moro



terça-feira, 19 de junho de 2012

Subliminar




Os espelhos embaçados
Escritos, desenhados,
Dois goles de conhaque
Dedos deslizando, traçando caminhos

Tatuando frases na pele branca, dourada
Ideogramas mágicos que significam nada
um suspiro talvez, grafado,
Guardado em garrafas

Ser sem compor,ser por ser, como o vento é
Mãos que apertam mãos,
E que levam a imaginar
De olhos fechados saber voar,

Equilibrio sutil
Entre o olhar e o que dizer,
Momento a momento
Armadilha do querer sem ter, o movimento

Marcelo Moro

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Venha



Diga-me que vem e eu vou sorrir
Um sorriso da alma, profundo,
Belo como a calma de uma flor
Que exibe sua cor ao sol da manhã

Diga-me quando vem que eu desamarro o céu
E faço soprar uma brisa calma
Dessas que levam nossos barcos pela maré
Sem pressa, sem horas, ao leo

Diga-me a hora que chega
que eu paro tudo e coloco o lixo na rua
e passo a viver na espera sua
enfeitando a casa de flores

E abro todas as janelas, fazendo luz
E corto os pães e descanso o vinho
Como já fiz em tantas sextas- feiras
Que sabia que virias

Arranca a roupa do armário, reune numa mala
E se joga, não pelo que é certo
Mas pelo que é lógico que o coração mande
Sinta de perto a garoa e o frio, a pele

Diga-me que vem e começa a espera
Duas pedras boiando no conhaque, o aroma do café
o Rock antigo pelo ar e a fé
Saindo pelas mãos velhas bruxarias

Marcelo Moro