Início

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Bipolar







Roubou o vinho
Apagou a chama
Revirou a cama
Deixou sozinho

Trancou por fora a porta
Engoliu a chave
Riscou a pintura da nave
Rasgou no dente a natureza morta

Fez gestos estranhos para a câmera
Fodeu a amizade
Jogou no asfalto a Jade
Passou a língua na lâmina

Platinou os cabelos
Tocou fogo na casa
Saiu de baixo das asas
Para questionar os espelhos

Marcelo Moro

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Oitavo Cotidiano



Ela é uma menina, mulher menina
Que o sol traga, mas não traduz
Curvas, vãos, sorriso vãos,
Mãos, pequenas mãos,
Um olhar de triste a perdido
Que encanta, que levanta o astral
E hoje a luz banhou suas curvas vãs,
E fez luz, versos e chuva
E fez encanto


Marcelo Moro 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Águas Marinhas




é só olhar para o tempo
e querer te levar
pelo tempo que for
seu perfume no meu vento
faz da distancia transparência
impossível sonhar sem cor

são estrelas esses seus olhos
estrelas azuis

é só parar o dia
e deixar me levar
pelas areias que for
minha camiseta no seu corpo
numa manhã qualquer, essência
impossível deixar sem cor

são faróis esses seus olhos
azuis na noite escura

é só dizer as horas
e querer te esperar
pelo resto do dia se for
nós dois debaixo da mesma lua
faz da imaginação algo real
impossível não ver a cor

 águas - marinhas esses olhos
encantando todo o azul


Marcelo Moro

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sétimo Cotidiano





Seu olhar é uma armadilha
E o azul seco desse céu e o dourado das folhas
Nas vésperas da primavera sangram
E singram um mar numa vasilha
Com um barco de papel em chamas
Sem rumo, sem amarras nem tramas

O azul e a armadilha são seus olhos
Quando evaporam juntos com as gotas frágeis
Que deslizaram mornas pelas curvas da sua pele
Que misturam sal e açúcar
Lágrimas temporariamente viáveis
E não há salvação que se rogue, reza que se reze

O acaso acontece nos seus olhos
O azul seca neles também
E as folhas douram, e a primavera sangra
E aprisiona o mar entre chamas
E navegam em barcos de papel
E eu gosto de ditar suas tramas 

Marcelo Moro

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pressa



Eu fiz essa canção como quem busca a terra prometida
Com sede, fome, perdas e danos
Como quem se livra do ouro e dos panos
E espera apenas a chuva cair mansamente essa noite

Fiz para o brilho dos seus olhos cor de temporal
Sem querer saber se isso importa
Se abre ou fecha suas portas
Fiz hoje e agora antes que viremos estátuas de sal

Fiz e colori os versos com giz
Escrevi antes que alguém escreva
Antes que alguém se encante, se atreva
Antes que alguma língua traduza o gosto do seu queixo

Borrei o papel para que saiba
Que é verdadeiro o que recito
Que repito como um mantra as linhas do seu rosto
Que me encanta, me encontro, me afaga

Fiz e pronto, com pressa que me afoba
Pergunta que não tem resposta
E você sóbria enquanto eu voo
Parece controlar o tempo enquanto ele foge

Marcelo Moro 

sábado, 31 de agosto de 2013

Sonho



Não sei, nunca vi teus passos
Não conheço seu balanço
O som do teu riso, mas é amplo
Não sei a textura do seu cabelo
O olhar escuro só pelo espelho
Mesmo sem respostas te caço

Acabo que me embaraço no teu silêncio
Mas insisto na harmonia dos seus traços
É um bem querer distante
Que brilha sempre antes
Que vênus na minha tarde perdida
É um exagero sempre na medida

Nunca doeu, antes se faz prazer
Nunca amanheceu comigo nas noites de insônia
Como uma das tantas sentinelas do meu sono
Mas soa uníssono como um assovio no ar
Deve ter asas ocultas de fogo
Não conheço seu cheiro, mas me faz sonhar

Marcelo Moro

* Ela é um tom de Fá maior as vezes sustenidos na minha sinfonia