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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Quase Plural






Você tem demais
O calor enxerga
O frio enxerga
O espelho espalha
E os olhos contemplam
O que és ,
O que tens ,
Além do que se vê
É o que sente ,
E o que se sente é eterno
É verbo que se faz pele
É uma Viterbo além dos muros
Uma supernova além do escuro
Um vinho que harmoniza
Alma que não cicatriza
Vento calmo e terno

Marcelo Moro

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Bipolar







Roubou o vinho
Apagou a chama
Revirou a cama
Deixou sozinho

Trancou por fora a porta
Engoliu a chave
Riscou a pintura da nave
Rasgou no dente a natureza morta

Fez gestos estranhos para a câmera
Fodeu a amizade
Jogou no asfalto a Jade
Passou a língua na lâmina

Platinou os cabelos
Tocou fogo na casa
Saiu de baixo das asas
Para questionar os espelhos

Marcelo Moro

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Oitavo Cotidiano



Ela é uma menina, mulher menina
Que o sol traga, mas não traduz
Curvas, vãos, sorriso vãos,
Mãos, pequenas mãos,
Um olhar de triste a perdido
Que encanta, que levanta o astral
E hoje a luz banhou suas curvas vãs,
E fez luz, versos e chuva
E fez encanto


Marcelo Moro 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Águas Marinhas




é só olhar para o tempo
e querer te levar
pelo tempo que for
seu perfume no meu vento
faz da distancia transparência
impossível sonhar sem cor

são estrelas esses seus olhos
estrelas azuis

é só parar o dia
e deixar me levar
pelas areias que for
minha camiseta no seu corpo
numa manhã qualquer, essência
impossível deixar sem cor

são faróis esses seus olhos
azuis na noite escura

é só dizer as horas
e querer te esperar
pelo resto do dia se for
nós dois debaixo da mesma lua
faz da imaginação algo real
impossível não ver a cor

 águas - marinhas esses olhos
encantando todo o azul


Marcelo Moro

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sétimo Cotidiano





Seu olhar é uma armadilha
E o azul seco desse céu e o dourado das folhas
Nas vésperas da primavera sangram
E singram um mar numa vasilha
Com um barco de papel em chamas
Sem rumo, sem amarras nem tramas

O azul e a armadilha são seus olhos
Quando evaporam juntos com as gotas frágeis
Que deslizaram mornas pelas curvas da sua pele
Que misturam sal e açúcar
Lágrimas temporariamente viáveis
E não há salvação que se rogue, reza que se reze

O acaso acontece nos seus olhos
O azul seca neles também
E as folhas douram, e a primavera sangra
E aprisiona o mar entre chamas
E navegam em barcos de papel
E eu gosto de ditar suas tramas 

Marcelo Moro

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pressa



Eu fiz essa canção como quem busca a terra prometida
Com sede, fome, perdas e danos
Como quem se livra do ouro e dos panos
E espera apenas a chuva cair mansamente essa noite

Fiz para o brilho dos seus olhos cor de temporal
Sem querer saber se isso importa
Se abre ou fecha suas portas
Fiz hoje e agora antes que viremos estátuas de sal

Fiz e colori os versos com giz
Escrevi antes que alguém escreva
Antes que alguém se encante, se atreva
Antes que alguma língua traduza o gosto do seu queixo

Borrei o papel para que saiba
Que é verdadeiro o que recito
Que repito como um mantra as linhas do seu rosto
Que me encanta, me encontro, me afaga

Fiz e pronto, com pressa que me afoba
Pergunta que não tem resposta
E você sóbria enquanto eu voo
Parece controlar o tempo enquanto ele foge

Marcelo Moro