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sábado, 11 de abril de 2015

Trilogia - Parte Final - O Sentimento






Canalha
Navalha que corta profundo
Nó
E só quem tem os tais Pterodáctilos
Voando no estomago é quem sabe
Apenas quem sente sabe
E quem tem sensibilidade que sinta
Que ouça quem tiver ouvidos
As vozes do além parecidas com a sua
O dia todo, todo dia
Não é um jogo
Mas fica apenas quem sabe jogar
Quem atravessa terraços na corda bamba
E no asfalto lá embaixo samba
E flores brotando em cada gota de suor que cai
Do rosto pintado do amor
Parece ser amor, sem promessas
Sem dessas de data e hora marcadas
Apenas acontece de sol a sol
E incendeia de Lua a Lua
A tribo dos amantes
É enfim um puro instante
Que sempre dura para sempre
Obrigado !


Marcelo Moro

*foto, flores no muro da casa da abuela bruja Tereza

Sobre Catrina





Sinto pena daquela que violentou suas cerejeiras
Perdeu o prazer do seu riso largo
Perdeu o momento dessa conjunção de estrelas
Que te deram assim toda, entregue
Penso no momento amargo
Do não para quem era sim, no máximo talvez
Passou a vez
No momento mais intenso do jogo
E as almas se sabiam e os corpos se entendiam
E sobra o copo vazio, cheio de desejo amanhecido
Mas por mais que tenha seu riso padecido
Não sumiu do rosto
Tatuado sem lábios na pele do tempo
E o vento rebelou os maremotos que traz nos cabelos
E a máscara que te serviu de mortalha
Serve agora de navalha
E corta de viés perfeito os laços, traços
E o dedo, que no talo te fez delirar em febre
E a língua que profanou seu silêncio
E que caia tudo sobre a terra desse cemitério
Que é tua ausência
E que a essa essência ressuscite
Em dança, em tranças, em doce e em festa


Marcelo Moro

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Urbana Tempestade

Urbana Tempestade





É o que se vê profundamente de passagem
Inunda a retina de cor, de forma
Sussurra a voz rouca da paisagem
Na garoa fina que não desbota a tinta
Mas escorre corações aos baldes
É o que nasce das mãos esquálidas
Da suburbana arte
É uma parte
Louca e sólida da cidade que flutua suspensa
Sobre os vales cemitérios ancestrais
São fantasmas que subvertem a ordem
Humanizam o progresso
São processos transitados em julgado
É o coletivo de imaginação,
Intenção e gesto, em cor e ação
Palavras desconexas que se juntam no trânsito pesado
E rimam futuro com passado
E que juntas sopram sensações
Nunca antes lidas,
Esquecidas pela pressa do cotidiano
Que um dia passa,
Numa tarde pousada nos Jardins de Allah!

Marcelo Moro




terça-feira, 7 de abril de 2015

Trilogia Episódio dois - A Necessidade



De não pensar no tempo
Ele me levou todos os relógios
E o que era toda lógica
Manifesta-se em toda mágica
E até as lágrimas que eventualmente acontecem
Me parecem doce, droga alucinógena
E esse vício tem nome e sobrenome
E não tem pra mim claro endereço
Mas tem apelo, apreço
Cadência, dança e ritmo
Riso inconfundível
Futuro viável para quem nada espera de seu
A não ser a estrada mais florida
E nela encontrar as vezes
Essa necessidade vestida de estrelas

Marcelo Moro

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Trilogia parte um - O pecado





O fruto do Jardim noturno
Suspenso, vermelho-dourado
Tem um tom adocicado
E a pele macia sem o áspero
E de tanto luzir nos olhos da serpente
Tornou –se dela pupila
Parte integrante do desejo
Aceso como brasa de cigarro ao vento
Vivo no pensamento
Em paz no coração


E desliza entre minhas pernas
As suas, quase sem sutilezas
Sem frescuras
Apenas calor intenção e gesto
Sem medo de pecar errando
Apenas pecando pelo correto
Pois já disse algum poeta
Que tudo vale a pena
Quando é de verdade
Quando não é cena quando se peca

E fica um lance meio esquecido
O tal de quando a alma não é pequena
E sua alma meu fruto proibido
É Gigantesca
E espia detrás dos espelhos
O deslizar sincronizado dos dedos
E quando o coração acelera
As Línguas exaltam o sabor do Éden
O Jardim sem cercas ou fronteiras
A Arvore frondosa dos frutos dos que se querem

Marcelo Moro

*Lua sobre véus , cheia e dançando sua dança no quintal de casa faltando 42 minutos para a Hora Morta

terça-feira, 31 de março de 2015

Teatro de Ousadias - Oitavo Ato



Nesse lugar onde o vento não voa
E fica preso nas cortinas espessas
Onde a luz é apenas reflexo dos olhos à toa
Através da fumaça densa

Então é ali que os perfumes se encontram
Se tornam alfabetos de cegos
E se procuram sem formato de rostos
E se deliciam quando as línguas se pegam

Sabem serem proibidos, pelo tato
Pela juventude doce e o amargo do tempo
Mas libertam os ventos quebrando as janelas
E suas mãos se entrelaçam numa estrela, a mais bela

São doze sentidos numa noite tão simples
São sussurros aflitos viajando lentos
Antes são momentos concretos do surrealismo
Vacância sutil entre intenção e gesto

A ausência da luz faz as formas na mão
A leitura completa do seu eu escondido
Aquele grito, aquele suor escorrido
Aquele arrepio do certo ao avesso

Marcelo Moro

Câmera Obscura



Câmera obscura
Imagens nuas
Tenho saudade do tempo em que tudo era perfeito
Que as coisas que fazia faziam efeito
E essa solidão vivida a dois não existia
Simplesmente por eu ser eu
E você o que queria
Marcelo Moro

3 minutos para a Hora Morta em Istambul, Câmera Obscura - do Livro - O Teatro de Ousadias -
captado do espaço sideral de uma voz cigana de bruxa alienígena