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terça-feira, 26 de junho de 2012

Pincelando



Seus olhos são duas amendôas, da cor exata
Não se recria em pincéis, arte abstrata
São antes duas luas sem órbitas de um planeta perdido
Namorada do caos, olhares sem sentido

O bicho arrasador quando alça vôo
Um tom sobre tom elementar, fogo
Não há inocência no seu andar, apenas cabelos ao vento
Não há nada entre sua pele e a saliva, o mel, o pensamento

Não se aponte o dedo, se reserve, não perca esse ar sagaz
Não se recluse, nem se acuse por tantos olhares com tom voraz.
Apenas aceite o feitiço, o enguiço, a beleza que é você
A beleza que é , sem precisar ser.

Marcelo Moro



terça-feira, 19 de junho de 2012

Subliminar




Os espelhos embaçados
Escritos, desenhados,
Dois goles de conhaque
Dedos deslizando, traçando caminhos

Tatuando frases na pele branca, dourada
Ideogramas mágicos que significam nada
um suspiro talvez, grafado,
Guardado em garrafas

Ser sem compor,ser por ser, como o vento é
Mãos que apertam mãos,
E que levam a imaginar
De olhos fechados saber voar,

Equilibrio sutil
Entre o olhar e o que dizer,
Momento a momento
Armadilha do querer sem ter, o movimento

Marcelo Moro

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Venha



Diga-me que vem e eu vou sorrir
Um sorriso da alma, profundo,
Belo como a calma de uma flor
Que exibe sua cor ao sol da manhã

Diga-me quando vem que eu desamarro o céu
E faço soprar uma brisa calma
Dessas que levam nossos barcos pela maré
Sem pressa, sem horas, ao leo

Diga-me a hora que chega
que eu paro tudo e coloco o lixo na rua
e passo a viver na espera sua
enfeitando a casa de flores

E abro todas as janelas, fazendo luz
E corto os pães e descanso o vinho
Como já fiz em tantas sextas- feiras
Que sabia que virias

Arranca a roupa do armário, reune numa mala
E se joga, não pelo que é certo
Mas pelo que é lógico que o coração mande
Sinta de perto a garoa e o frio, a pele

Diga-me que vem e começa a espera
Duas pedras boiando no conhaque, o aroma do café
o Rock antigo pelo ar e a fé
Saindo pelas mãos velhas bruxarias

Marcelo Moro


domingo, 27 de maio de 2012

Burocrática Viagem pelo Tempo



Como era sincera aquela brisa
Como era bonita aquela Luz de beco,invadindo a janela
Aromas e sons que o tempo não pode levar
Amor de estação, estação após estação

E o inverno congelou nosso sorriso
Conservou nosso som, preservou o bom na nossa alma
Desprezou e traiu os fracos e prepotentes
E fez nascer uma flor amarela entre as rochas, chamada calma

E a primavera despertou nossos instintos mais bonitos
Revelou todas as fotos, nos fez carentes
Devolveu realidade e fez ciranda com nossos sonhos
E encheu o chão fecundo de flores, chamadas esperança

E o Verão incendiou nossos corpos
Destinou nossos suores de um para o outro
Nos fez dependentes quimicos das nossas nuances
Fez nascer nas fendas um fruto chamado Liberdade

E chegou o outono, as tardes douradas
E passou nosso café bem forte,tocou nosso rock do bom
E nos remeteu a verdade de que não se volta no tempo
E fez nascer da vontade uma flor chamada lembrança, Saudade

terça-feira, 22 de maio de 2012

Menina Lua



Oh Lua! dos navegantes, dos amantes, dos poetas
Dona do céu vagabundo de qualquer dia
Deusa prata, da caça, dos instintos, das brechas,
Iluminas a pesca, as frestas, os amassos calientes dos meninos terraqueos

Oh! Lua que já poetizaram, fotografaram, pintaram, foderam com a estaca de uma bandeira terrivelmente feia, hoje brilhas pra mim no meu quintal, deixando do outro lado o seu lado escuro, a face de outra moeda

Oh! Lua, que já denominaram nova, crescente, cheia, minguante, Iemanjá, Bárbara, cálida, estonteante, Foste aplaudida, uivada, apalpada, revirada, removida, chamada de fria, coadjuvante dos eclipses.

Hoje apareces bela na minha janela, só não estás mais bela do que a menina do lado, que o vento deliciosamente despenteou os cabelos, e tua luz valorizou o verde moreno dos olhos, e a perfeita simetria dos lábios...

não suma numa crise de ciúme pois o poeta é das duas, é de todas, valoriza o jardim suspenso da menina com seu lume, e ela te fará brilhar mais com seus olhos e sua beleza perdida..

Marcelo Moro

terça-feira, 15 de maio de 2012

Flor prata à luz da Lua



abra tua janela pra sentir
o gosto da noite, o aroma do céu
abra os sentidos pra ouvir
a prece cósmica que tira seus véus
e te coloca branca pele
a ser lambida pelo prata da lua
a sensação do quente e úmido, leve
arrepia e sussurra sua alma nua
e navega pelos entãos
e cavalga pelos nãos
e aproveita o aperto das mãos
contra os cantos, as curvas, contra os vãos

Marcelo Moro

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Janela




Deixa entrar pela sua janela, feito o vento que te balança os cabelos
O meu desejo, a minha fome, a minha vontade de você
Deixa entrar meu poema, minha quimera
Despertar em ti todas as flores, como a primavera
Tocar, lamber , conduzir, observar seu arrepio, seu sussurro,
Abrir cada botão, valorizar cada gota, cada gemido, acelerar o coração
Não dizer não, não se fechar diante da espera
Arrancar o fôlego, o juízo, o gozo
Rasgar todas reservas e por fogo