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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Soneto da Humanização




O que levar na mala?
Apenas sonhos que traduzam línguas mortas
E antigos poetas que me habitam
Talvez a chave de alguma porta

Uma velha camisa xadrez
Os dois dedos finais do conhaque
A língua solta e a coragem
Algo que ainda me encante de Chico Buarque

Uma foto da minha sala
A lembrança da sua fala
A jaqueta jeans desbotada


A herança dos concertos
Do papo que varava a noite
Meia dúzia de sonetos

Marcelo Moro

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Mensagem Subliminar



Das paixões que se experimenta sempre ali no escuro da noite,

corpos suados e moídos, mãos entrelaçadas

o que sobra na manhã seguinte é um sopro, uma espera

voz que fala aos sentidos, quimera

 

Adoro essa conspiração, essa inconfidência

essa renúncia  da realidade em favor do surreal

gosto do nosso jeito de falar, código dos deuses astronautas

a lingua que nós inventamos pra dizer que  fazemos falta

 

Do jeito que me chama , império dos sentidos

sobra o eco sobre noites incandescentes

gosto dessa voz indecente quando me conta segredos

sempre de um jeito mitológico, usando combinação de cores

 

Adoro nossos códigos, códices arqueiros

Adoro ser o andarilho que te acha comida na noite fria

sei que entende tudo o que falo até mesmo quando calo

porque nossas palavras são flechas finas diretas ao coração

 

me pediste para te ensinar a ver com os olhos

sou mestre e escravo a sua disposição


Marcelo Moro

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Soneto Vazio




De tão intenso torno-me mortal
Fulminado por uma noite sua
Exagero e pretensão
De quem se quer conhece teu olhar

Mas imagina tua textura
Pinceladas a mão livre
Livre arbítrio
Madrugada e rude pintura

Mesmo que rasgue o vulgar papel
Que manche a tela
Vou querer vê-la de volta

Sentir o vazio do teu não ser
Pra sentir a presença
Aguda e reverente de um toque seu

Marcelo Moro

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Abstração





Você é linda
Teu sorriso exalta o sol,
A fresta da janela,  o cabelo escorrido nas costas, molhado
E eu, atordoado a imaginar tatuagens, homenagens em sua pele de cristal

Você é doce,
Raros pelos quase sem cor reluzem do teu íntimo
E eu ínfimo poeta a me imaginar dono do Armagedom
Domador do seu gozo que faz mudar as cores, o tom

Você ainda é pintura
Óleo sobre tela de um desconhecido autor
Que me fez viajar pelos contornos sem rumo
E te sentir em sonhos tão reais, sonhos em flor

Marcelo Moro

sábado, 26 de janeiro de 2013

Perdas sem Danos





Um dia cinza, frio, úmido, caústico
Faz o pensamento viajar na velocidade da luz
Menos, do som talvez, um sussurro nas nuvens
Paredes e tetos não barram o desejo
E tu vens , de vidas ja vividas, infinitas formas de ser e estar
De ser sem estar, de andar sem gastar os sapatos
Pois não cabem passos, apenas imaginação
Viagem dos versos, das mãos,
Da língua , que fala , que cala, que poe tudo a ganhar, perdendo sempre tão pouco

Marcelo Moro

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Trinta e dois




Uma constelação diferente no céu
Dessas que anunciam Rainhas, Deusas
Uma canção em um violão, uma voz ao Léu
As vezes um choro, não tardio, um sumiço

Andar por aí faz bem, um vinho maduro
Um ano a mais de delícia sobre um signo dividido
Apenas pelo dia e noite, mas o Sagitário definitivo
um ponto equidistante entre minha realidade e sonho

Os pés descalços e as flores nos cabelos, celebração
As meninas a beber, e os meninos meros súditos
E eu achando que posso dizer, insultar, pregar a perdição
E por fim me colocar entre melodias e poemas Lúdicos

Trinta e duas estações como versos
Paixões, amores e desafetos
Assim é a vida, em cores e as vezes preto e branco
Para você sempre mais que um brinde , sempre mais que um canto

Marcelo Moro

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Solidão Povoada




É dessas coisas sutis do amor, essa miragem
Imagem sobre a areia do deserto, feita de cor e calor
Dois braços ao vento, que o tempo fez Oásis
Duas vidas feitas uma por um verso que se faz

Tantas palavras que não se ouvem, que tudo dizem
Basta que se leia com a alma e à ferro e fogo
Basta que o vento encha as velas, embarace os cabelos
Basta  que eu descubra a cor perfeita do seu olho

Nem que a tempestade que se forma divida os sonhos
Seria capaz de cega-los, apaga-los do tempo
Nem que a distância nos puna, insônia doida e serena
Seria capaz de tragar o amor em sua essência

Marcelo Moro