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domingo, 25 de maio de 2014

Colagem



Lambe 
Sambe 
Meu corpo Promete
Espera
Aguenta
Venha
Experimenta
Joga
Brinca
Tenta
Seduza
Abusa-me
Lambuza
Orienta-me
Faz-me
Louca
Pouca
Doida
Muita
Traduza-me
Cola Tua pele na minha
Tua carne
Teu sexo
No meu sexo
Transgrida
Infrinja
Leis
Conceitos
Regras
Baste-se
Junte-me
Embole-se
No jogo de pernas
Quadris
Braços
Bocas e línguas
Deixe correr
Deixe rolar
Vamos Agora e sempre
Amar e gozar...


Marcelo Moro 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Fogo 242





Azul e Laranja raios de céu e de sol
Sobre o mármore branco da Vênus sem braços
Luzes sem filtro, sem qualquer equilíbrio 
Apenas cruzam a vidraça, tortos sem lastros

Como um signo sem ascendentes 
Que devora seus filhos, suas luas 
Uma porta sem batentes 
Que fecha o destino sem chaves, flutua

Leoa de fogo que o tempo aprimora 
Ascende em leão conjugando o momento 
Subjugando o bicho, o macho , devora 
Soprando seu perfume doce aos sete ventos 

E assim se constrói um desejo pleno 
Sem hífen, sem rima , castanho moreno 
Um licor raro, sutil doce – amargo 
Pequenas doses diárias do mais belo veneno

Marcelo Moro

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Poesia Estrábica



Nos seus olhos, os sonhos parecem parar
Nos seus olhos as luzes morrem
Duas estrelas, desalinhadas
Deselegância divina, brilho ímpar
Equação de números primos
Tramas transversas do linho

As cores pouco importam
Diante do intenso desastre
Lente? Que mente e não sente
Dúvida reticente quando engana o retrato
Sagaz, de fino trato
Quando o doce esgana o amargo

Construção obliqua
Pretérito mais que perfeito
Desalinho, defeito
Malmequer na febril margarida
Sorriso de menina bonita

Com um olho no córner e o outro me fita

Marcelo Moro 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Equilibrista







Noite cinza
Úmido sorriso
Pensamento preso pelo vidro
Janela sem cortina
Tingindo de dourado os pingos
Incandescência da lâmpada, da menina

Ousadia sem estrelas
O Chumbo brilhante do tecido
Hábil equilibrista sem alças
Asas da imaginação, mãos
Esculpindo os humores
Revelando rijos sabores

É apenas chuva, mansa
Que cai, ali atrás dos sentidos
Que molha sutil os cabelos
Que desce, escorre, contorna os botões
De plástico vulgar, frígidos
De rosas de fogo, chamas, sensações

Marcelo Moro


terça-feira, 15 de abril de 2014

Concretismo Absurdo







mau amor ,
bom amor,
amor perfeito,
amor com defeito,
meu delírio, mau delírio,
colírio,
minha inocência,
 minha indecência,
meu suicídio,
minha coragem,
meu medo,
minha tremedeira,
meu orgasmo,
meu pleonasmo,
minha trepadeira,
meu banditismo,
minha falta de juízo,
minha geral,
faca,
pau,
pedra,
cornos,
alhos,
olhos,
meu ato falho,
Deusa,
Mãe d'água,
minha cara,
Joia Rara,
porra nenhuma,
embuste,
amante,
em suma , tudo


Marcelo Moro

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Quinta dos bons ventos




Feira, festa, feriado
Bons tons, bons tempos
Paladar ao vinho desmistificado
Quinta de preguiça, dos bons ventos

Quinta dos maus intentos
Das péssimas intenções
Da contemplação etílica, goles e momentos
Quinta dos bons ventos e melhores sensações

Do papo, do beijo, dos olhos
Dos instintos perdidos nos cinzeiros
Das viagens decoladas de telhado insólitos
Das penas ancoradas em tinteiros

Quinta moça de passagem
 Para Eldorado, Marrakesh, Shangrilá
Quinta palavra, desastrada aterrizagem
Quinta dos ventos esparramando Maná

Quinta da boa véspera
De lua boa, de estrelas de fogo
Quinta de intensa festa

Dos ventos, do velho e do novo

Marcelo Moro 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Compasso de espera






Seu olhar tem compasso
Como se não visse nada
Tudo vê e tudo crê
Tudo advinha  seus belos olhos
Amêndoas rasas de sabor profundo
Bebida inebriante
Estrela brilhante de um universo antigo
Em chamas, perdido
Entre a dança e a falta de sono
Chamando de abandono o desejo
Cereja à deriva na Vodca
A mesma que o poeta rolou pelos seus vãos
Vodca a baixo, só imaginação
Aparada na língua malabarista
Bêbados e equilibristas
Tudo na linha de uma bela canção

Marcelo Moro