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terça-feira, 28 de abril de 2015

Autocontrole



Para não falar mais que a boca
Para não ver encaixado o quebra cabeças
Encaixando pernas numa tarde de sol
Com a luz entrando pelo vão da persiana
Sabedoria
Meditação
E muita calma nessa hora
Antes que se perca tarde afora
O equilíbrio e a razão

Mas como falar de um rio seco
Se a flor inocentemente se molha
Tranquilamente aflora
E estampa seu vestido com vida
Seus passos , esguio corpo
Sedução
Vai e vem nesse porão
Úmido e escuro
Que o desejo retido, controlado

Marcelo Moro


sábado, 11 de abril de 2015

Trilogia - Parte Final - O Sentimento






Canalha
Navalha que corta profundo
Nó
E só quem tem os tais Pterodáctilos
Voando no estomago é quem sabe
Apenas quem sente sabe
E quem tem sensibilidade que sinta
Que ouça quem tiver ouvidos
As vozes do além parecidas com a sua
O dia todo, todo dia
Não é um jogo
Mas fica apenas quem sabe jogar
Quem atravessa terraços na corda bamba
E no asfalto lá embaixo samba
E flores brotando em cada gota de suor que cai
Do rosto pintado do amor
Parece ser amor, sem promessas
Sem dessas de data e hora marcadas
Apenas acontece de sol a sol
E incendeia de Lua a Lua
A tribo dos amantes
É enfim um puro instante
Que sempre dura para sempre
Obrigado !


Marcelo Moro

*foto, flores no muro da casa da abuela bruja Tereza

Sobre Catrina





Sinto pena daquela que violentou suas cerejeiras
Perdeu o prazer do seu riso largo
Perdeu o momento dessa conjunção de estrelas
Que te deram assim toda, entregue
Penso no momento amargo
Do não para quem era sim, no máximo talvez
Passou a vez
No momento mais intenso do jogo
E as almas se sabiam e os corpos se entendiam
E sobra o copo vazio, cheio de desejo amanhecido
Mas por mais que tenha seu riso padecido
Não sumiu do rosto
Tatuado sem lábios na pele do tempo
E o vento rebelou os maremotos que traz nos cabelos
E a máscara que te serviu de mortalha
Serve agora de navalha
E corta de viés perfeito os laços, traços
E o dedo, que no talo te fez delirar em febre
E a língua que profanou seu silêncio
E que caia tudo sobre a terra desse cemitério
Que é tua ausência
E que a essa essência ressuscite
Em dança, em tranças, em doce e em festa


Marcelo Moro

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Urbana Tempestade

Urbana Tempestade





É o que se vê profundamente de passagem
Inunda a retina de cor, de forma
Sussurra a voz rouca da paisagem
Na garoa fina que não desbota a tinta
Mas escorre corações aos baldes
É o que nasce das mãos esquálidas
Da suburbana arte
É uma parte
Louca e sólida da cidade que flutua suspensa
Sobre os vales cemitérios ancestrais
São fantasmas que subvertem a ordem
Humanizam o progresso
São processos transitados em julgado
É o coletivo de imaginação,
Intenção e gesto, em cor e ação
Palavras desconexas que se juntam no trânsito pesado
E rimam futuro com passado
E que juntas sopram sensações
Nunca antes lidas,
Esquecidas pela pressa do cotidiano
Que um dia passa,
Numa tarde pousada nos Jardins de Allah!

Marcelo Moro




terça-feira, 7 de abril de 2015

Trilogia Episódio dois - A Necessidade



De não pensar no tempo
Ele me levou todos os relógios
E o que era toda lógica
Manifesta-se em toda mágica
E até as lágrimas que eventualmente acontecem
Me parecem doce, droga alucinógena
E esse vício tem nome e sobrenome
E não tem pra mim claro endereço
Mas tem apelo, apreço
Cadência, dança e ritmo
Riso inconfundível
Futuro viável para quem nada espera de seu
A não ser a estrada mais florida
E nela encontrar as vezes
Essa necessidade vestida de estrelas

Marcelo Moro

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Trilogia parte um - O pecado





O fruto do Jardim noturno
Suspenso, vermelho-dourado
Tem um tom adocicado
E a pele macia sem o áspero
E de tanto luzir nos olhos da serpente
Tornou –se dela pupila
Parte integrante do desejo
Aceso como brasa de cigarro ao vento
Vivo no pensamento
Em paz no coração


E desliza entre minhas pernas
As suas, quase sem sutilezas
Sem frescuras
Apenas calor intenção e gesto
Sem medo de pecar errando
Apenas pecando pelo correto
Pois já disse algum poeta
Que tudo vale a pena
Quando é de verdade
Quando não é cena quando se peca

E fica um lance meio esquecido
O tal de quando a alma não é pequena
E sua alma meu fruto proibido
É Gigantesca
E espia detrás dos espelhos
O deslizar sincronizado dos dedos
E quando o coração acelera
As Línguas exaltam o sabor do Éden
O Jardim sem cercas ou fronteiras
A Arvore frondosa dos frutos dos que se querem

Marcelo Moro

*Lua sobre véus , cheia e dançando sua dança no quintal de casa faltando 42 minutos para a Hora Morta

terça-feira, 31 de março de 2015

Teatro de Ousadias - Oitavo Ato



Nesse lugar onde o vento não voa
E fica preso nas cortinas espessas
Onde a luz é apenas reflexo dos olhos à toa
Através da fumaça densa

Então é ali que os perfumes se encontram
Se tornam alfabetos de cegos
E se procuram sem formato de rostos
E se deliciam quando as línguas se pegam

Sabem serem proibidos, pelo tato
Pela juventude doce e o amargo do tempo
Mas libertam os ventos quebrando as janelas
E suas mãos se entrelaçam numa estrela, a mais bela

São doze sentidos numa noite tão simples
São sussurros aflitos viajando lentos
Antes são momentos concretos do surrealismo
Vacância sutil entre intenção e gesto

A ausência da luz faz as formas na mão
A leitura completa do seu eu escondido
Aquele grito, aquele suor escorrido
Aquele arrepio do certo ao avesso

Marcelo Moro