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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Catrina







E desapareceu de repente
O sabor do beijo, o desejo ardente
Perdeu-se em um momento
O calor dos corpos
Sem que ninguém compreendesse
Talvez, alguém soubesse demais
O que a outra alma devesse
Foram reticências e trevas frias
Aqueles dias em que o vento despiu as cerejeiras
Não houve tempo para uma oração
Sem singeleza, sem copos na mesa
Sem dedos apontando alguma direção
Foi apatia, vazia de qualquer signo
Se desfizeram os laços, e os braços se desencontraram
A dor ficou e o destino seguiu seus passos
E a cada encontro com cada primavera
Resta uma quimera e uma flor sem dono
Um abandono e o sono que não vem
E de tentar em tentar o sonho vira desgaste
E que se lasque a dor que não dói em mim
E o que é a felicidade enfim?
Se não um troço chato que todos fingem sentir
E por ela mentem, ignoram, choram
E vão embora em algum momento sem fechar a porta
Apenas para não deixar de ver quem espera no portão
E de quando em vez deixa uma mensagem
Para ter certeza que ainda existe o que não passou de ilusão


Marcelo Moro

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