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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Insone contravenção



Apenas uma espiada
Uma porcentagem pequena da beleza do seu rosto
Uma ínfima mirada
E seu cheiro de noite esparrama na minha língua seu gosto
É assim, entre sedas estampadas
E belos cortes de cabelos
Seu disfarce
E por mais que eu acaricie o novelo
Não há ponta e nem caminho, não acho
Está sempre assim no mínimo,
Estando sempre no volume máximo
E de tanto me perder em anagramas
Em labirintos de palavras
Me acho no seu íntimo
Numa ínfima parte da sua amplitude
E me perco de novo no céu vermelho
Nessa noite de chuva

Marcelo Moro

*Hora Morta + 107 minutos
A Lua Nova pairando e já declinando no quintal da minha casa quando ainda faltavam 300 minutos para a Hora a Morta

Sutil


Flores Poéticas


terça-feira, 28 de abril de 2015

Autocontrole



Para não falar mais que a boca
Para não ver encaixado o quebra cabeças
Encaixando pernas numa tarde de sol
Com a luz entrando pelo vão da persiana
Sabedoria
Meditação
E muita calma nessa hora
Antes que se perca tarde afora
O equilíbrio e a razão

Mas como falar de um rio seco
Se a flor inocentemente se molha
Tranquilamente aflora
E estampa seu vestido com vida
Seus passos , esguio corpo
Sedução
Vai e vem nesse porão
Úmido e escuro
Que o desejo retido, controlado

Marcelo Moro


sábado, 11 de abril de 2015

Trilogia - Parte Final - O Sentimento






Canalha
Navalha que corta profundo
Nó
E só quem tem os tais Pterodáctilos
Voando no estomago é quem sabe
Apenas quem sente sabe
E quem tem sensibilidade que sinta
Que ouça quem tiver ouvidos
As vozes do além parecidas com a sua
O dia todo, todo dia
Não é um jogo
Mas fica apenas quem sabe jogar
Quem atravessa terraços na corda bamba
E no asfalto lá embaixo samba
E flores brotando em cada gota de suor que cai
Do rosto pintado do amor
Parece ser amor, sem promessas
Sem dessas de data e hora marcadas
Apenas acontece de sol a sol
E incendeia de Lua a Lua
A tribo dos amantes
É enfim um puro instante
Que sempre dura para sempre
Obrigado !


Marcelo Moro

*foto, flores no muro da casa da abuela bruja Tereza

Sobre Catrina





Sinto pena daquela que violentou suas cerejeiras
Perdeu o prazer do seu riso largo
Perdeu o momento dessa conjunção de estrelas
Que te deram assim toda, entregue
Penso no momento amargo
Do não para quem era sim, no máximo talvez
Passou a vez
No momento mais intenso do jogo
E as almas se sabiam e os corpos se entendiam
E sobra o copo vazio, cheio de desejo amanhecido
Mas por mais que tenha seu riso padecido
Não sumiu do rosto
Tatuado sem lábios na pele do tempo
E o vento rebelou os maremotos que traz nos cabelos
E a máscara que te serviu de mortalha
Serve agora de navalha
E corta de viés perfeito os laços, traços
E o dedo, que no talo te fez delirar em febre
E a língua que profanou seu silêncio
E que caia tudo sobre a terra desse cemitério
Que é tua ausência
E que a essa essência ressuscite
Em dança, em tranças, em doce e em festa


Marcelo Moro

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Urbana Tempestade

Urbana Tempestade





É o que se vê profundamente de passagem
Inunda a retina de cor, de forma
Sussurra a voz rouca da paisagem
Na garoa fina que não desbota a tinta
Mas escorre corações aos baldes
É o que nasce das mãos esquálidas
Da suburbana arte
É uma parte
Louca e sólida da cidade que flutua suspensa
Sobre os vales cemitérios ancestrais
São fantasmas que subvertem a ordem
Humanizam o progresso
São processos transitados em julgado
É o coletivo de imaginação,
Intenção e gesto, em cor e ação
Palavras desconexas que se juntam no trânsito pesado
E rimam futuro com passado
E que juntas sopram sensações
Nunca antes lidas,
Esquecidas pela pressa do cotidiano
Que um dia passa,
Numa tarde pousada nos Jardins de Allah!

Marcelo Moro




terça-feira, 7 de abril de 2015

Trilogia Episódio dois - A Necessidade



De não pensar no tempo
Ele me levou todos os relógios
E o que era toda lógica
Manifesta-se em toda mágica
E até as lágrimas que eventualmente acontecem
Me parecem doce, droga alucinógena
E esse vício tem nome e sobrenome
E não tem pra mim claro endereço
Mas tem apelo, apreço
Cadência, dança e ritmo
Riso inconfundível
Futuro viável para quem nada espera de seu
A não ser a estrada mais florida
E nela encontrar as vezes
Essa necessidade vestida de estrelas

Marcelo Moro

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Trilogia parte um - O pecado





O fruto do Jardim noturno
Suspenso, vermelho-dourado
Tem um tom adocicado
E a pele macia sem o áspero
E de tanto luzir nos olhos da serpente
Tornou –se dela pupila
Parte integrante do desejo
Aceso como brasa de cigarro ao vento
Vivo no pensamento
Em paz no coração


E desliza entre minhas pernas
As suas, quase sem sutilezas
Sem frescuras
Apenas calor intenção e gesto
Sem medo de pecar errando
Apenas pecando pelo correto
Pois já disse algum poeta
Que tudo vale a pena
Quando é de verdade
Quando não é cena quando se peca

E fica um lance meio esquecido
O tal de quando a alma não é pequena
E sua alma meu fruto proibido
É Gigantesca
E espia detrás dos espelhos
O deslizar sincronizado dos dedos
E quando o coração acelera
As Línguas exaltam o sabor do Éden
O Jardim sem cercas ou fronteiras
A Arvore frondosa dos frutos dos que se querem

Marcelo Moro

*Lua sobre véus , cheia e dançando sua dança no quintal de casa faltando 42 minutos para a Hora Morta

terça-feira, 31 de março de 2015

Teatro de Ousadias - Oitavo Ato



Nesse lugar onde o vento não voa
E fica preso nas cortinas espessas
Onde a luz é apenas reflexo dos olhos à toa
Através da fumaça densa

Então é ali que os perfumes se encontram
Se tornam alfabetos de cegos
E se procuram sem formato de rostos
E se deliciam quando as línguas se pegam

Sabem serem proibidos, pelo tato
Pela juventude doce e o amargo do tempo
Mas libertam os ventos quebrando as janelas
E suas mãos se entrelaçam numa estrela, a mais bela

São doze sentidos numa noite tão simples
São sussurros aflitos viajando lentos
Antes são momentos concretos do surrealismo
Vacância sutil entre intenção e gesto

A ausência da luz faz as formas na mão
A leitura completa do seu eu escondido
Aquele grito, aquele suor escorrido
Aquele arrepio do certo ao avesso

Marcelo Moro

Câmera Obscura



Câmera obscura
Imagens nuas
Tenho saudade do tempo em que tudo era perfeito
Que as coisas que fazia faziam efeito
E essa solidão vivida a dois não existia
Simplesmente por eu ser eu
E você o que queria
Marcelo Moro

3 minutos para a Hora Morta em Istambul, Câmera Obscura - do Livro - O Teatro de Ousadias -
captado do espaço sideral de uma voz cigana de bruxa alienígena





segunda-feira, 30 de março de 2015

O Teatro de Ousadias



https://scenariumplural.wordpress.com/2015/03/10/exemplos-de-poesias-marcelo-moro/

Dia 26 de março foi lançado o meu livro O Teatro de Ousadias pela série E.X.E.M.P.L.O.S de poesia da editora Scenarium Plural, uma edição artesanal, costurada a mão, exclusiva e qual foi comercializada em pré - venda mas que ainda restam alguns exemplares, vale muito a pena essa edição e para adquirir é só clicar no link acima e enviar o e-mail, Você recebe em qualquer ponto do mundo ...

sejam todos bem vindos ao Teatro de Ousadias


quinta-feira, 26 de março de 2015

Lua do dia ( Novilúnio)




Muda a dança
A musica, o humor
A fase, a crise, muda a frase
O  a sem crase, a catarse
Mudam as pernas
As penas, o vento
A chuva, os pesares
Muda o tempo
Quando ela passa
No seu ato de sete atos
Com seu sorriso de sete dias
Muda tudo que varia
Pesam o que valha
Cortam à navalha
O papel, o poema
Os cabelos
O cordão umbilical
Tecem o carnaval
Nessa sua passagem sólida
Secreta,
Escondida entre o azul
E o cotidiano veloz
Ninguém repara no seu belo véu
Apenas blasfemam
Quando à noite
Não está no céu


Marcelo Moro

*foto da Lua Nova sobre o meu Quintal faltando 240 minutos para Hora Morta de 24 de março

terça-feira, 24 de março de 2015

Flor de Baunilha



Fiquei preso por tanto tempo ao hálito de Iracema
Queria beijá-la como Ceci beijou Peri
Ao som de “O Guarani”
Na beira do lago negro
Onde Narciso completou seu inútil ciclo
E virou uma flor polinizadora de deusas

Efêmero sabor do preto néctar
Essência da louvação dos jaguares deuses
Enfiou no nariz da minha juventude
Sonhos e alucinações
Casada com o clorofórmio
Doce- amarga amante rude

Hoje já travestida de moderna
Pés no chão e simples pura pele
Advoga em favor dos loucos
Que acreditam no tom quase bordô dos seus cabelos
E que rimam flor com sentimento
E que apelam como poucos, por seu sabor

Marcelo Moro

* foto do Projeto Paralelo de Mariana Montrazi Claus



segunda-feira, 23 de março de 2015

Espectro






Espectro

Pena não poder dizer tudo
Viver de nada em vazio
Como clandestino nesse navio
Enorme e assombrado que é sua alma
Pena faltar coragem de perder a calma
E rasgar o verbo e conjugar a viagem
Misturar à sua mística, minha realidade
Confundir  seu sono já tão conturbado
E terminar a noite vendo a estrela vespertina
Num desabotoar que desatina
Rubra tinta em sua pele
E de calor em calor
De suor em suor , tropeçando nas sílabas
"*Confundindo a lógica
Me perder nessa sua beleza exótica"

Marcelo Moro

*muito de Caetano e pouco de mim


sábado, 21 de março de 2015

Solstício



Solstício
Solstício é troca
De líquidos
De línguas, de vícios
De sol rasante
Por Lua amarela
É mazela
São corpos que dançam
Envolta do fogo
Envoltos em chamas
É sacrifício
Por um dia melhor que o outro
É desenho impresso no corpo
Para que se lembre o passageiro
Que ele não passa disso
Diante da grandeza do infinito
E de suas regras
O Solstício é troca de cores
É bonito
Tem hora marcada
E não tenho nada com isso
Se sei enxergar a dança
E se danço a serenata

Marcelo Moro


quarta-feira, 18 de março de 2015

Flor de outono



Flor de Outono

Outono batendo à porta
Belo final de tarde frio
O Jardim de Allah vazio
O Outono é o conjunto da obra
Chuva mansa, o tom de cinza
A lã barata da menina que passa
Seu guarda chuva psicodélico
O sofrimento velho
Gradiente entre Deus e o Diabo
Uma bela flor perdida poeta
Em meio desse devaneio
A boca dela, o caos e o tiroteio


Marcelo Moro  

terça-feira, 17 de março de 2015

Amar é ( Desafio de escrever)


Sobre as Sardas





São defeitos?
Antes são mapas
Acertos de rotas
Ilhas dispostas num mar calmo
Charmes
Toques de arte do sol

Imperfeições?
Antes são estrelas, mapas astrais
Constelações
Filhas ultra – violetas
De um Deus faminto
Princesas de um universo extinto

Mau gosto?
Antes são contrapontos
Doses antimonotonia, equação
Que te fazem mais interessante
Mesmo que os tolos e os caretas
digam que não

Marcelo Moro

K'abel



Uma deusa maia
Por isso o Mar vem e vai
Em reverência
Súdito e amante secreto
Incandescências de sal e luz 
Intenção e gesto

E o deus – menino sol
Estrela flutuante
Doura sua pele e antes
Te devora 
Para que não sobre dúvidas
Da divindade que te aflora

É sim uma deusa maia
Puro sangue
Que deságua nesses nossos litorais
Sempre que esquenta
E que arrebenta
Exibindo tão belo caminho para Eldorado


Marcelo Moro